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Ciência

Tubarões podem ajudar cientistas a prever força de furacões

Sensores instalados nos animais podem ampliar a coleta de dados sobre o oceano e contribuir para estimativas sobre furacões

15/08/2026 15:06
Magnirfic
Imagem colorida de tubarão - Metrópoles

Tubarões podem se tornar aliados inesperados na previsão da intensidade de furacões. Pesquisadores estudam usar os animais como plataformas móveis de observação, equipadas com sensores que coletam informações enquanto eles percorrem o oceano.

A possibilidade foi analisada em estudo publicado no ICES Journal of Marine Science, com pesquisadores da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos. Os cientistas avaliaram dados históricos de rastreamento por satélite de 11 espécies de tubarões nos oceanos Atlântico e Pacífico.

A proposta não é fazer com que os animais prevejam diretamente um furacão. Sensores instalados neles podem registrar temperatura, condutividade e profundidade da água, fornecendo informações de regiões difíceis de monitorar.

Como os tubarões poderiam ajudar

A temperatura do oceano influencia a intensidade dos ciclones tropicais. Águas mais quentes fornecem energia às tempestades, e conhecer a distribuição do calor em diferentes profundidades ajuda a entender quanto combustível está disponível.

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Ao percorrer grandes distâncias e mergulhar, tubarões equipados com sensores poderiam produzir perfis da coluna de água. Os dados serviriam como complemento às medições feitas por outros sistemas de observação. Os sensores podem registrar:

  • Temperatura em diferentes profundidades;
  • Condutividade, relacionada à salinidade;
  • Profundidade dos mergulhos;
  • Mudanças nas condições da água durante o percurso.

Três vezes mais dados por uma fração do custo

Entre as 11 espécies analisadas, os pesquisadores identificaram maior potencial nos tubarões-mako de barbatana curta do Atlântico e do Pacífico e nos tubarões-azuis do Pacífico.

Os padrões de movimento de algumas espécies também apresentaram escalas compatíveis com fenômenos como furacões e eventos de ressurgência, quando águas profundas chegam às camadas superiores.

Em uma comparação teórica, os pesquisadores estimaram que tubarões equipados com sensores poderiam fornecer três vezes mais perfis independentes de temperatura e condutividade da água por cerca de 15% do custo operacional de planadores submarinos, robôs utilizados no monitoramento oceânico.

Tecnologia ainda tem limitações

Os animais não podem ser direcionados para determinada região, e a transmissão dos dados depende do comportamento de cada espécie. Por isso, os autores propõem a tecnologia como complemento, e não substituição, dos métodos tradicionais de monitoramento.

O uso na previsão da intensidade de furacões ainda é uma possibilidade. Se a estratégia conseguir fornecer medições de forma consistente, os dados coletados pelos tubarões poderão ampliar o conhecimento sobre as condições encontradas pelas tempestades e contribuir para aprimorar modelos de previsão.