Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Oceanos quentes e alta umidade do ar contribuem para formação de furacões

Especialistas explicam como o aquecimento dos oceanos favorece a formação de furacões e o que influencia sua intensidade

11/07/2026 02:00
NOAA via Getty Imagens
Imagem colorida, imagem de satélite fornecida pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA),- Metrópoles

A temporada de furacões no Hemisfério Norte costuma despertar atenção devido ao potencial destrutivo desses fenômenos, que podem provocar ventos intensos, chuvas torrenciais, enchentes e grandes prejuízos. O período de maior ocorrência acontece entre os meses de junho e novembro, quando as condições atmosféricas e oceânicas se tornam mais favoráveis para a formação desses sistemas.

Segundo especialistas, a combinação entre águas oceânicas mais quentes, alta umidade e circulação dos ventos cria o ambiente ideal para o desenvolvimento dos furacões. Embora sejam fenômenos naturais, estudos indicam que as mudanças climáticas podem influenciar sua intensidade e duração.

Como os furacões se formam

O meteorologista Francisco de Assis, consultor climático de Brasília, explica que os furacões se desenvolvem quando a temperatura da superfície do mar atinge pelo menos 27°C. Esse aquecimento aumenta a evaporação da água e libera grande quantidade de calor para a atmosfera, alimentando tempestades cada vez mais organizadas.

“Os furacões sempre fizeram parte da dinâmica natural do clima. O aquecimento global não cria esses fenômenos, mas pode favorecer tempestades mais intensas.”, afirma Assis.

À medida que o sistema ganha força, os ventos passam a girar em torno de um centro de baixa pressão. Quando atingem velocidade superior a 119 km/h, a tempestade passa a ser classificada como furacão e recebe uma categoria na Escala Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5 conforme a intensidade dos ventos.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Por que a temporada ocorre nesta época

A maior frequência de furacões está diretamente relacionada ao ciclo das estações no Hemisfério Norte. Durante o verão e o início do outono, julho a novembro, os oceanos acumulam calor suficiente para fornecer a energia necessária ao desenvolvimento desses fenômenos.

O geógrafo Rafael Rodrigues da Franca, professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), explica que esse aquecimento ocorre principalmente no Atlântico Norte, Golfo do México e parte do Oceano Pacífico, regiões conhecidas pela formação de ciclones tropicais.

“Os furacões dependem de um combustível essencial: águas oceânicas aquecidas. Sem essa condição, eles não conseguem se formar nem se manter.”, destaca.

Mudanças climáticas podem intensificar os fenômenos

Embora os furacões existam há milhares de anos, especialistas afirmam que o aquecimento global não é responsável pelo surgimento desses eventos, mas pode aumentar sua intensidade.

Assis explica que a formação dos furacões sempre ocorreu naturalmente, mas oceanos mais quentes fornecem mais energia para as tempestades, favorecendo ventos mais fortes.

Um planeta mais quente concentra maior quantidade de energia na atmosfera e nos oceanos, acrescenta Franca, o que cria condições para tempestades mais intensas, duradouras e, em alguns casos, mais frequentes. Segundo ele, os impactos também dependem da capacidade de cada país de monitorar os fenômenos, investir em infraestrutura e adotar medidas de prevenção, reduzindo a vulnerabilidade das populações expostas.

Em consenso, os especialistas destacam que o monitoramento meteorológico, os sistemas de alerta e o planejamento das autoridades são fundamentais para reduzir os impactos sobre a população. Com a temporada em andamento no Hemisfério Norte, acompanhar as previsões e investir em medidas de prevenção continua sendo a principal estratégia para minimizar os danos provocados por essas tempestades.