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Ciência

Cerveja zero remove o álcool da bebida pronta para manter o sabor

Bebida moderna é feita com destilação à vácuo para manter a qualidade. Apesar de ter menos calorias, cerveja não é indicada para todos

12/07/2026 02:00
Kevin Trimmer/Getty Images
Foto colorida de homem segurando garrafas e copos de cerveja - Metrópoles

A cerveja zero ganhou espaço entre consumidores que querem reduzir o consumo de álcool sem abrir mão do sabor da bebida. Presente em bares, supermercados e até em eventos esportivos, ela desperta dúvidas sobre sua fabricação e seus possíveis benefícios para a saúde.

Embora não contenha álcool, ou apresente apenas traços residuais dentro dos limites permitidos pela legislação, isso não significa que a bebida seja saudável por definição. Especialistas explicam que a forma de produção influencia características como sabor, aroma e composição nutricional.

Como a cerveja zero é produzida

A fabricação da cerveja zero pode seguir diferentes processos tecnológicos. Segundo Wagner José Pederzoli, membro do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais do Conselho Federal de Química (CRIG/CFQ) e presidente do Conselho Regional de Química da 2ª Região (MG), o método mais tradicional é a destilação a vácuo, que remove o álcool da bebida já fermentada.

No processo, a bebida é aquecida sob baixa pressão, reduzindo o ponto de ebulição do álcool — assim, ele evapora em temperatura ambiente.

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Além desse processo, a indústria também utiliza técnicas de filtração por membranas e leveduras especiais capazes de produzir pouco ou nenhum álcool durante a fermentação. Cada tecnologia apresenta vantagens e desafios, principalmente em relação ao sabor e ao teor de açúcares.

“É mito que cervejas sem álcool não têm gosto. As tecnologias atuais permitem preservar e reintroduzir compostos aromáticos, tornando o perfil sensorial muito próximo ao das versões alcoólicas”, afirma Pederzoli.

O especialista explica que, durante a retirada do álcool, parte das moléculas responsáveis pelo aroma pode ser removida junto. Para reduzir esse impacto, muitas cervejarias recuperam esses compostos e os reincorporam ao produto final.

A cerveja zero é mais saudável?

Do ponto de vista da saúde, a principal vantagem da cerveja zero é eliminar os efeitos nocivos do álcool, como sobrecarga do fígado, desidratação e prejuízos ao sono, à coordenação motora e ao desempenho cognitivo.

Segundo a nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, em Brasília, isso faz da bebida uma alternativa para pessoas que desejam diminuir o consumo de álcool, precisam dirigir, utilizam medicamentos incompatíveis com bebidas alcoólicas ou simplesmente apreciam o sabor da cerveja.

“A cerveja zero pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas não deve ser confundida com uma bebida funcional ou considerada livre para consumo sem moderação”, ressalta Taynara.

A especialista destaca ainda que, por não conter álcool, a bebida costuma ter menos calorias do que a cerveja convencional. Entretanto, isso não significa que tenha baixo teor de carboidratos ou açúcar — os valores variam conforme a marca e o método de fabricação.

Quando é preciso ter atenção ao consumo

Apesar das vantagens em relação à versão alcoólica, a cerveja zero ainda exige alguns cuidados. Pessoas com diabetes devem observar a quantidade de carboidratos e açúcares presente no rótulo. Já quem tem doença celíaca precisa verificar se a bebida contém glúten, normalmente proveniente da cevada.

Também é importante que indivíduos com doença renal ou restrição de sódio consultem a composição nutricional antes do consumo. Além disso, algumas bebidas podem apresentar pequenas quantidades residuais de álcool, o que pode não ser indicado para pessoas em tratamento contra dependência alcoólica ou em situações específicas orientadas por profissionais de saúde.

Embora compostos antioxidantes naturalmente presentes na cerveja, como polifenóis e isoxanthohumol, permaneçam na bebida mesmo após a retirada do álcool, os especialistas reforçam que eles não transformam a cerveja zero em um alimento promotor de saúde. O consumo consciente e a moderação continuam sendo os principais critérios para sua inclusão na rotina alimentar.