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Ciência

Baleias cachalote do Mediterrâneo têm "sotaques" distintos, diz estudo

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o achado pode sinalizar uma evolução cultural entre as baleias cachalote

24/06/2026 13:39
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Mike Korostelev/Getty Images
Imagem colorida mostra duas baleias cachalote nadando em alto mar, uma filhote e outra adulta

Baleias cachalotes (Physeter macrocephalus) do Mar Mediterrâneo podem ter sotaques. Segundo um novo estudo internacional, as comunidades orientais e ocidentais da região possuem estilos de comunicação distintos. 

Enquanto as do Oriente “falam” através de cliques (também chamado de codas) mais rápidos, as do Ocidente emitem cliques mais lentos. Para os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o achado pode ser considerado uma pista de evolução cultural.

A descoberta foi liderada pela Universidade de Bristol e a Universidade de St Andrews, ambas no Reino Unidos. Os resultados foram publicados nos Anais da Royal Society B: Ciências Biológicas nessa quarta-feira (24/6).

“Durante muito tempo, acreditou-se que a população de cachalotes do Mediterrâneo constituía um único grupo cultural que produzia um dialeto muito simples. Antes de nossa pesquisa, outros estudos já haviam começado a questionar essa crença antiga. O que mais me entusiasmou em nossa descoberta de dois grupos dialetais foi a clareza das diferenças quando começamos a ouvir”, conta um dos autores do estudo, Taylor Hersh, em entrevista ao portal ScienceAlert.

Apesar das diferenças, cachalotes convivem bem entre si

Durante o trabalho, os cientistas analisaram mais de 5,2 mil gravações de codas de cachalotes do Mediterrâneo. Ao estudar os resultados, percebeu-se que os estalos eram ritmicamente parecidos, porém o tempo deles eram distintos. 

“O tipo de coda ocidental é bastante lento (é fácil ouvir cada um dos quatro cliques), enquanto o tipo de coda oriental é tão rápido que é difícil detectar todos os quatro cliques”, descreve Hersh.

Por outro lado, os pesquisadores acreditam que a diferença no dialeto não é uma barreira de convivência entre ambos os grupos. Alguns exemplares machos transitam entre as partes do Mediterrâneo e se reproduzem com animais de regiões distintas, o que mantém a conexão genética entre as populações.

“Imagino que seja mais como alguém de Boston encontrando alguém do Mississippi: os sotaques fortes podem significar que as pessoas precisam repetir o que disseram para serem compreendidas, mas, no fim das contas, ambas estão falando inglês”, exemplifica o pesquisador.

Apesar de não decifrarem a tradução dos cliques feitos pelas cachalotes, os cientistas consideram estar no caminho certo para descobrir mais detalhes sobre a sociedade e cultura dos animais, questões que podem auxiliar em estudos futuros.