Comunicação das cachalotes é próxima à dos humanos, afirma estudo
O projeto especializado em cachalotes descobriu que as baleias conseguem falar vogais através de cliques curtos ou prolongados
atualizado
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Apesar de viver em ambientes totalmente diferentes, baleias-cachalote (Physeter macrocephalus) e humanos podem ter mais semelhanças do que apenas serem mamíferos. Segundo um novo estudo, a comunicação dos animais é parecida com línguas comuns, como o mandarim, latim e esloveno.
Obviamente, as cachalotes não falam palavras como os humanos, mas do jeito delas possuem algo semelhante a um alfabeto, além de formarem uma espécie de vogais. As vocalizações vêm através de cliques chamados codas.
O trabalho é a mais nova descoberta da Iniciativa de Tradução de Cetáceos (Ceti, na sigla em inglês), um projeto que estuda cachalotes em uma região do Caribe para traduzir o que elas estão falando. Os resultados foram publicados na revista Proceedings B. nessa quarta-feira (15/4).
“As vocalizações de coda das baleias-cachalote são extremamente complexas e representam um dos paralelos mais próximos da fonologia humana dentre todos os sistemas de comunicação animal analisados”, escrevem os autores no artigo.
Análise da comunicação das cachalotes
Os pesquisadores analisaram os cliques das cachalotes presentes na costa de Dominica, um país caribenho. A investigação mostrou que, além de conseguir “falar” vogais, elas conseguem diferenciá-las através cliques curtos ou prolongados ou tons ascendentes ou descendentes. O padrão parecido ao de línguas humanas comuns.
A descoberta é mais uma das relevantes em relação à comunicação das baleias. Até a década de 1950, não se sabia que elas falavam, porém a expansão das novas tecnologias, como a inteligência artificial, ajudou e continua auxiliando os cientistas para novos achados.
“Acho que é mais um momento de humildade perceber que não somos a única espécie com vidas ricas, comunicativas, comunitárias e culturais. Essas baleias podem estar transmitindo informações de geração em geração há mais de 20 milhões de anos”, diz o fundador e presidente do projeto Ceti, David Gruber, em entrevista ao portal britânico The Guardian.
Gruber explica que as conversas ocorrem na superfície e para o papo acontecer os animais juntam a cabeça bem próximas uma da outra. “É como se você quisesse conversar com alguém sobre um romance ou algo do tipo – você não faria isso de lados opostos de um estádio de futebol. Você precisaria estar bem perto para ter uma conversa realmente sofisticada”, afirma.
Ainda não se sabe exatamente o que é falado durante as vocalizações, porém, o achado mais recente aproxima os cientistas da resposta. O objetivo do projeto Ceti é compreender ao menos 20 expressões vocais das cachalotes nos próximos cinco anos.
