Baleias viajam do Brasil até a Austrália e quebram recorde de migração

Estudo revela que baleias percorreram mais de 15 mil km entre Brasil e Austrália, em uma migração considerada inédita

atualizado

metropoles.com

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Pacific Whale Foundation
Baleias em alto mar- Metrópoles
1 de 1 Baleias em alto mar- Metrópoles - Foto: Pacific Whale Foundation

Duas baleias-jubarte surpreenderam cientistas ao realizarem uma migração considerada inédita entre o Brasil e a Austrália. O trajeto ultrapassou 15 mil quilômetros e estabeleceu um novo recorde mundial para a espécie, segundo pesquisadores internacionais.

Os animais foram identificados por meio das marcas únicas presentes na parte inferior da cauda, conhecidas como “flukes”. Elas foram comparadas em um banco com mais de 19 mil fotografias registradas ao longo de quatro décadas. O estudo foi publicado na revista Royal Society Open Science nesta quarta (20/5).

Uma das baleias foi fotografada pela primeira vez em 2003, no Banco dos Abrolhos, na Bahia, principal área de reprodução da espécie no Brasil. Mais de duas décadas depois, o mesmo animal apareceu em Hervey Bay, na Austrália, após uma migração estimada em 15,1 mil quilômetros.

Outra baleia também chamou a atenção dos pesquisadores. Registrada inicialmente na Austrália em 2007, ela reapareceu anos depois na costa de São Paulo, em uma travessia de aproximadamente 14,2 mil quilômetros em mar aberto.

A pesquisadora Vanessa Pirotta afirma que o caso mostra como ainda existem lacunas no conhecimento sobre o comportamento desses animais. “Essas descobertas continuam nos surpreendendo e demonstram que ainda há muito a aprender sobre as baleias-jubarte”, declarou ao SciMex.

Descoberta desafia padrões conhecidos

As baleias-jubarte costumam seguir rotas migratórias relativamente previsíveis, aprendidas ainda filhotes ao lado das mães. Por isso, a descoberta chamou a atenção da comunidade científica.

Segundo os pesquisadores, nunca havia sido confirmada uma conexão tão extensa entre áreas de reprodução de baleias-jubarte. Para os cientistas, isso pode indicar mudanças no comportamento da espécie.

“Esses movimentos podem ser mais comuns do que imaginamos, mas extremamente difíceis de detectar”, explicou o pesquisador Ted Cheeseman, fundador da plataforma Happywhale, responsável pela análise das imagens.

Os especialistas ainda investigam o que levou os animais a cruzarem oceanos inteiros. Entre as hipóteses, estão alterações climáticas, mudanças na disponibilidade de alimento e comportamento reprodutivo.

Tecnologia ajudou a localizar baleias

A identificação dos animais só foi possível graças ao uso de inteligência artificial e colaboração internacional. As imagens das caudas foram analisadas pela plataforma Happywhale, que compara automaticamente padrões únicos das baleias, funcionando como uma espécie de impressão digital.

Segundo os cientistas, o estudo reforça a importância da cooperação global para conservação marinha, já que animais migratórios atravessam oceanos e diferentes países ao longo da vida.

A descoberta também reacendeu debates sobre os impactos das mudanças climáticas nos oceanos e nos padrões de migração de grandes mamíferos marinhos, especialmente em regiões perto da Antártida, onde as baleias costumam se alimentar.

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