Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Maior cemitério de baleias com 1,2 mil km é achado no Oceano Índico

Segundo os cientistas, trata-se do maior, mais profundo e mais antigo cemitério de baleias já achado na Terra. Foram catalogados 485 fósseis

Jorge Agle11/06/2026 12:11, atualizado 11/06/2026 12:35
Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Compartilhar notícia
Divulgação/Nature
Imagem colorida mostra carcaça de baleia no fundo do mar - Metrópoles

Foi na Zona Diamantina, uma região no Oceano Índico entre a Austrália e a Antártida, que pesquisadores chineses descobriram o maior cemitério de baleias descrito até hoje. Localizado no fundo do mar, o território possui fósseis e carcaças dos cetáceos a até 7 km de profundidade ao longo de um corredor de 1,2 mil km repleto de ossos. 

Segundo os pesquisadores, trata-se do maior, mais profundo e mais antigo cemitério de baleias já encontrado na Terra. Entre os achados, há um fóssil datado de 5,3 milhões de anos. Além disso, acredita-se que há espécies não conhecidas de outros animais vivendo nas carcaças.

O trabalho liderado por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências foi publicado na revista Nature nessa quarta-feira (10/6).

Braço robô auxilia na busca pelo cemitério de baleias

Não é novidade que, quando as baleias morrem, a carcaça delas vai parar no fundo do mar. É no momento da morte que se inicia o fenômeno conhecido como a “queda da baleia”. Primeiramente, o corpo afunda. Porém, de 24 a 36 horas após, a decomposição libera muitos gases, fazendo com que ele volte à superfície, servindo para tubarões e peixes. Com o tempo, o animal morto afunda e vira comida e até abrigo para animais e organismos das profundezas.

Com o conhecimento em mente, em 2023, os pesquisadores foram realizar buscas no fundo do mar por meio de um submersível com braço robótico. Apesar de terem a expectativa de encontrar materiais, o que se viu na Zona Diamantina foi uma verdade necrópole de carcaças.

Ao todo, foram catalogados 485 fósseis, a maioria pertenciam a espécies distintas de baleias-de-bico (Ziphiidae). Porém, entre eles, também estava um exemplar novo de cetáceo, mas extinto. Estima-se que no local podem estar depositados mais de 10 milhões de carcaças.

“Essas descobertas reformulam a compreensão dos limites e da biogeografia dos ecossistemas de carcaças de baleias e estabelecem alguns fundos marinhos profundos como um arquivo fóssil para rastrear a evolução dos cetáceos ao longo do tempo geológico”, escrevem os autores no artigo.

A principal hipótese para a dimensão do cemitério é que o local está localizado em uma região com boas fontes de alimentação e possui uma vala em forma de V, o que pode favorecer o caminho das carcaças para lá.

A descoberta deve gerar novas investigações na região. Além disso, acredita-se que devem haver mais cemitérios de baleias ocultos por outras regiões dos oceanos. Com o auxílio da tecnologia, os pesquisadores ficarão mais perto de encontrá-los.