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Ciência

Astronautas fazem raio-X do próprio corpo no espaço pela primeira vez

Cientistas já haviam conseguido obter imagens de raio-X em um voo que imitava a microgravidade orbital, mas era preciso testar na prática

15/07/2026 12:08, atualizado 15/07/2026 12:09
Gifford et al., Radiology , 2026
Imagem em preto e branco de exame raio-X - Metrópoles

De forma inédita, astronautas conseguiram realizar exames de raio-X em órbita com qualidade suficiente para nortear um diagnóstico. Segundo os pesquisadores, além de se tornar mais uma forma de proteger os viajantes no espaço, a radiografia também poderia ajudar a detectar possíveis danos em dispositivos da nave.

Há quatro anos, os cientistas já haviam conseguido realizar imagens de raio-X em um voo que simulava a microgravidade orbital, mas era preciso testar na prática. A verificação ocorreu no ano passado, durante a missão espacial Fram2, da SpaceX, quando, por meio de um gerador de raios-X digital portátil e sem fio, os tripulantes obtiveram radiografias do corpo humano em ambiente espacial.

Os experimentos foram liderados por cientistas norte-americanos e canadenses, incluindo especialistas da Universidade de Stanford, na Califórnia. Os dados obtidos no estudo foram publicados na revista Radiology nesta terça-feira (14/7).

“Foi um momento histórico em vários sentidos. O fato de isso ter acontecido mudou o futuro da medicina espacial e das missões espaciais. Num instante, o que antes era impossível tornou-se possível”, afirma uma das autoras do estudo, Sheyna Gifford, em entrevista ao portal ScienceAlert.

Como foi possível realizar exames de raio-X no espaço

Para funcionar, a radiografia precisa de uma fonte de raios-X direcionada ao corpo, com o detector no lado oposto, e o paciente posicionado com perfeição. Outro detalhe importante é a imobilidade da região examinada, necessária para que a imagem saia sem imperfeições.

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O uso da tecnologia no espaço passou a ser possível quando os dispositivos para a obtenção das imagens ficaram menores, portáteis e alimentados por bateria, possibilitando o teste em órbita.

Na averiguação realizada durante a Fram2, os tripulantes realizaram radiografias antes e durante o voo orbital, obtendo imagens desde partes do corpo até de um relógio. Todos os registros foram validados por radiologistas independentes como adequados para diagnóstico.

Em regiões como mãos e braços, partes mais fáceis de manter imóveis, as imagens ficaram melhores. No tórax, abdômen e pelve, que eram mais difíceis de imobilizar, a qualidade era ligeiramente inferior. Além do corpo humano, o raio-X pode ser utilizado para inspecionar a estrutura da nave.

Imagem em preto e branco de exame raio-X - Metrópoles
Imagens de raio-X do tórax tiveram menos qualidade

“A aplicação atual de raios-X espectrais na Terra começou com, e continua sendo amplamente utilizada para, testes não destrutivos: seu uso na segurança aeroportuária é mundial. Embora esta equipe tenha sido a primeira a testar a radiografia espectral no espaço, uma das muitas razões para fazê-la é porque traz para a missão ferramentas poderosas que funcionam muito além da enfermaria”, diz Sheyna.

Segundo os pesquisadores, ainda há algumas limitações para tornar o uso do raio-X no espaço algo usual, porém o sucesso dos primeiros resultados ajudará a nortear o aprimoramento da tecnologia.