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Brasil

"Sigo lutando", diz viúva de catador morto por militares ao ajudar músico baleado

"Eu só queria saber como eles [os militares] passam o Natal. É triste minha filha vendo outros pais com as crianças”, lamenta Dayana

13/10/2021 15:49, atualizado 13/10/2021 16:21
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Adriana Cruz / Metrópoles
“Sigo lutando”, diz viúva de catador morto por militares ao ajudar músico baleado

Rio de Janeiro – Viúva do catador de recicláveis Luciano Medeiros, Dayana Horrara, 30 anos, revelou a expectativa e o desconforto de estar frente a frente com os militares acusados de efetuar os disparos que mataram seu marido e o músico Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, em abril de 2019. O julgamento ocorre nesta quarta (13/10).

Para Dayana, o mais difícil é relembrar o que aconteceu no dia do crime. “Muita gente manda áudio. O vídeo nem assisti. Não gosto de lembrar. Não tivemos apoio de ninguém e sigo lutando diariamente, trabalhando vendendo doces e cuidando da minha filha”, desabafa.

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Dayana Horrara, 30 anos, diz que ainda não conseguiu superar a morte do marido, o catador Luciano Medeiros, em ação militar no Rio
Luciana Santos luta por justiça após o assassinato do marido, o músico Evandro dos Santsos
Mulher do músico Evaldo dos Santos, que foi morto por 12 militares em abril de 2019 no Rio, passou mal no julgamento
Luciana e Davizinho lutam para superar a tragédia
Luciana: "Cada adiamento do julgamento é um novo tiro na minha família!"
Dayana Horrara, 30 anos, viúva do catador de recicláveis Luciano Medeiros, morto em ação de militares
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Dayana Horrara, 30 anos, viúva do catador de recicláveis Luciano Medeiros, morto em ação de militares

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Dayana Horrara, 30 anos, diz que ainda não conseguiu superar a morte do marido, o catador Luciano Medeiros, em ação militar no Rio
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Dayana Horrara, 30 anos, diz que ainda não conseguiu superar a morte do marido, o catador Luciano Medeiros, em ação militar no Rio

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Luciana Santos luta por justiça após o assassinato do marido, o músico Evandro dos Santsos
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Ainda de acordo com a viúva, que assistiu ao crime grávida da filha que o catador não conheceu, além da demora na punição aos culpados, ainda há outros desafios. “Eu só queria saber como eles [os militares] passam o Natal. É triste minha filha vendo outros pais com as crianças”, lamenta Dayana, que só no dia 1° de dezembro conseguirá fazer exame de DNA para comprovar a paternidade da pequena Aylla Vitória, 2 anos.

A sessão do julgamento dos 12 acusados pelos crimes acontece nesta quarta-feira (13/10) e a emoção tomou conta das duas viúvas. Pouco antes de iniciar a audiência, a esposa do músico, Luciana dos Santos Nogueira , precisou de atendimento médico e deixou a sala de audiências da 1ª Auditoria da Justiça Militar, realizada na 1ª Circunscrição Militar, no Rio de Janeiro.

Entenda o caso

O músico Evaldo Rosa seguia de carro a um chá de bebê com a família, no momento em que os militares atingiram o veículo com 62 disparos, no dia 7 de abril de 2019, na Vila Militar, em Guadalupe, zona oeste. O artista morreu na hora. Os 12 militares realizaram duas ações no dia, totalizando cerca de 257 disparos de fuzis e pistolas.

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O catador Luciano também acabou atingido quando tentou ajudar a socorrer Evaldo e o sogro do músico, atingido de raspão. Luciano morreu em 18 de abril no Hospital Estadual Carlos Chagas.

O Ministério Público Militar pediu a absolvição de quatro dos 12 militares que não fizeram os disparos contra o músico e o catador. Antes, o julgamento chegou a ser adiado três vezes. O último adiamento se deu de 14/9 para esta quarta-feira (13/10). O primeiro julgamento estava marcado para 7 de abril, dois anos após o crime, mas foi remarcado para 7 de julho, data também postergada.