Vídeo: professora é detida por racismo contra funcionários de bar

Confusão ocorreu após garçonete trocar a conta da cliente: "Ela me chamou de branca azeda e eu falei que ela era negra. Tenho doutorado"

atualizado 01/06/2021 15:46

Rio de Janeiro – Uma professora foi detida na madrugada de sábado (29/5) em um bar na Rua Dona Zulmira, no Maracanã, na zona norte do Rio. Num vídeo gravado por uma cliente do bar, Ana Paula de Castro Batalha assume os xingamentos contra a garçonete negra, além das ofensas que fez contra outros funcionários e clientes do bar.

“Referi como negra, eu assumo o que faço. Eu falei, eu assumo. Ela me chamou de branca azeda e eu falei que ela era negra. Assumo. Tenho doutorado “, disse Ana Paula.

Os funcionários do bar chamaram a polícia depois que ela ofendeu a garçonete Rosilene Carvalho, que se enganou ao entregar a conta da cliente — Rosilene entregou a conta de outro cliente no valor de R$ 264 para a professora, que deveria pagar R$ 84. Ao perceber o equívoco, a garçonete conta que foi falar com a cliente.

“Percebi o equívoco e fui até ela, mas já era tarde. Ela já estava levantada, exaltada, em cima de mim, gritando palavras, que eu era ladra, que eu era uma negra suja, que queria roubá-la, que eu atendi muito mal, que tinha pena de mim”, lembrou.

As ofensas e o tratamento ríspido com os funcionários, no entanto, começaram assim que Ana Paula entrou no bar, como relatou a garçonete: “Chegou essa senhora acompanhada de um rapaz. Ela disse que estava ali aguardando há horas e ninguém olhava para ela. Nisso, ela me pediu uma cerveja e uma água e deixou bem claro: eu quero que a água venha fechada, pois eu tenho medo que você cuspa nela”.

Rosilene acrescentou que ainda “sentiu o impacto” logo no primeiro contato. “Foi com essas palavras que ela se referiu. Na hora eu senti um impacto, claro. Busquei a água e comentei com meu patrão sobre o acontecido, para ele ficar ciente caso viesse acontecer alguma coisa”, disse a garçonete.

Aos policiais militares, funcionários e clientes contaram que Ana Paula também ofendeu outras pessoas. “Nesse meio tempo, até a patrulha chegar, ela continuou ofendendo a mim e a outras clientes. Cuspiu nas clientes, chamou de negra, foi homofóbica com elas, entendeu? Xingou a outra funcionária do caixa de nordestina, que ela não deveria estar lá, que ela tinha a cabeça quadrada”, relatou.

Após a confusão, duas funcionárias e uma cliente registraram queixa contra a professora na 20ª DP (Vila Isabel). Ana Paula foi detida pelo crime de injúria racial, pagou fiança no valor de R$ 2,2 mil e vai responder em liberdade. O bar Baródromo disse lamentar pelos funcionários e clientes que passaram pela situação e informou que está à disposição para acompanhar o processo. Ana Paula não foi localizada pelo Metrópoles para comentar as acusações.

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