Vídeo confirma integralmente declarações de Moro, diz defesa do ex-ministro

Ele assistiu íntegra do registro de reunião de maio na qual afirma ter sido pressionado por Jair Bolsonaro a trocar comando da PF

atualizado 12/05/2020 15:41

Sergio Moro deixa a PF em 12/05Rafaela Felicciano/Metrópoles

A defesa do ex-ministro Sergio Moro quer que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a divulgação na íntegra do vídeo de uma reunião ministerial na qual o presidente Jair Bolsonaro teria pressionado o então titular da pasta da Justiça a trocar o comando da PF.

Moro, os advogados dele e representantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) assistiram ao vídeo nesta terça (12/05), por determinação do ministro do STF Celso de Mello.

O processo que investiga as acusações de Moro contra Bolsonaro tramita sem sigilo no Supremo, mas Celso de Mello determinou sigilo provisório dessa prova em especial, após a Advocacia-Geral da União (AGU) alegar que a divulgação poderia comprometer questões de segurança nacional.

“Assistimos hoje ao vídeo da reunião interministerial ocorrida em 22 de abril. O material confirma integralmente as declarações do ex-ministro Sergio Moro na entrevista coletiva de 24 de abril e no depoimento prestado à PF em 2 de maio. É de extrema relevância e interesse público que a íntegra desse vídeo venha à tona. Ela não possui menção a nenhum tema sensível à segurança nacional”, defendeu o advogado Rodrigo Sánchez Rios, que representa Moro, em nota divulgada nesta terça.

A decisão sobre a divulgação ou não de trechos, da íntegra ou ao menos de uma transcrição do texto será do ministro Celso de Mello, que ainda não se manifestou.

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Segundo relatos de participantes da reunião a órgãos de imprensa nas últimas semanas, a divulgação do teor da reunião pode causar ao governo embaraços que vão para além do caso Moro.

Há notícias dando conta de que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria xingado os ministros do Supremo no evento, algo que ele negou. Sobre o chanceler Ernesto Araújo, há relatos de que ele ironizou a China ao falar do coronavírus — que ele já chamou de “comunavírus” em texto. Ele não negou.

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