STF vai investigar Weintraub por crime de racismo contra chineses

O ministro da Educação acusou a China pela origem do coronavírus e afirmou que o país asiático se aproveita da situação

atualizado 29/04/2020 9:19

Ministro Abraham WeintraubAndre Borges/Esp. Metropoles

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello determinou abertura de inquérito contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, por suposto crime de racismo. O pedido havia sido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após o chefe da pasta culpar os chineses pela pandemia do coronavírus e afirmar que o país asiático poderia se beneficiar da situação.

“Acolho, em parte, o pedido da douta Procuradoria-Geral da República e, em consequência, determino a instauração de Inquérito contra o Senhor Ministro da Educação, Abraham Weintraub, por suposta prática do delito tipificado na Lei nº 7.716/89 (art. 20), que dispõe sobre a repressão ao crime de racismo”, diz trecho da sentença.

No início deste mês, Weintraub tuitou uma imagem do personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, na Muralha da China. Ele fez alusão ao fato de o personagem trocar o “r” pelo “l”, insinuando que seria uma forma de falar do povo chinês. O post, no entanto, não está mais disponível.

Veja a íntegra da decisão:

Decisao STF by Metropoles on Scribd

No mesmo dia, o ministro voltou ao Twitter para dizer que a China estava ganhando dinheiro “em cima das nossas vidas”.

Em resposta, a Embaixada da China no Brasil acusou o ministro de racismo e chamou as declarações de Weintraub de “desprezíveis”.

Após o episódio, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, classificou a conduta do ministro como infração penal prevista como crime que resulta de preconceito.

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