Cobrado por entidade judaica, Ernesto Araújo não pede desculpas

Chanceler foi alvo de reclamação de entidade dos EUA após comparar quarentenas a campos de concentração. E negou o que escreveu

atualizado

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Ernesto Araújo – ministro das relações exteriores
1 de 1 Ernesto Araújo – ministro das relações exteriores - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se manifestou sobre a mais nova crise diplomática brasileira, agora com a comunidade judaica norte-americana. E não foi para pedir desculpas, como havia cobrado o Comitê Judaico Americano (AJC). Ele considerou as críticas “injustas e equivocadas” e reafirmou seu ponto.

A polêmica começou na última semana, quando Araújo publicou texto denunciando um suposto plano da esquerda mundial para tomar o poder tendo como desculpa a pandemia de coronavírus. Segundo o chanceler brasileiro, é o risco do “comunavírus”.

No texto, o ministro compara a imposição de quarentenas para evitar a propagação da Covid-19 aos campos de concentração da Alemanha nazista, onde milhões de prisioneiros foram assassinados, a maioria judeus.

Segundo ele, os esquerdistas querem agir “convencendo as pessoas de que é pelo seu próprio bem que elas estarão presas nesse campo de concentração, desprovidas de dignidade e liberdade”.

A fala repercutiu no jornal The Israel Times, um veículo israelense em inglês, e começou a circular entre a comunidade judaica nos Estados Unidos. Nesta semana, o Comitê Judaico Americano exigiu um pedido de desculpas.

“Essa analogia usada por Ernesto Araújo ao comparar medidas de distanciamento social com campos de concentração nazistas é profundamente ofensiva e totalmente inapropriada”, escreveu a entidade em postagem nas redes sociais.

Também pela internet veio a resposta do chanceler brasileiro, nesta quarta-feira (29/04). Segundo ele, quem faz uma analogia entre o coronavírus e os campos de concentração é o filósofo esloveno Slavoj Žižek, cujo texto ele comenta e denuncia em sua postagem sobre o “comunavírus”.

Para Araújo, que detalha nas postagens a política de aproximação entre o governo de Jair Bolsonaro e o estado de Israel, diz que as críticas que recebe são fruto de “leitura distorcida” do que escreveu.

“No meu artigo, chamei a atenção, com indignação, para o trecho do livro em que Zizek banaliza o holocausto, quando ele elogia o lema colocado à porta de Auschwitz, ‘Arbeit Macht Frei’. É Zizek, assim, que traz os campos de concentração como referência quando fala da sociedade totalitária que, em sua teoria, pode emergir da pandemia e pela qual ele “torce” – uma visão de mundo infame contra a qual me insurgi em meu texto”, escreveu Araújo.

Uma leitura de seu texto deixa claro, porém, que o ministro brasileiro compara por si mesmo as quarentenas aos campos de concentração. Veja a parte destacada em azul:

Print do texto de Ernesto Araújo contra o “comunavírus”

Veja todas as postagens do ministro nesta quarta:

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