Trama golpista: presidente do IVL está foragido há três meses
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha teve prisão decretada em dezembro, mas ainda não foi localizado. Alexandre Ramagem também está foragido
atualizado
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Exatamente três meses após ter a ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o dono do Instituto Voto Legal (IVL), Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, segue foragido. Ele foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por participação na trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, mas até hoje não foi localizado pelas autoridades.
Nesta semana, a Primeira Turma da Corte rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração das defesas do núcleo 4 da ação penal — na qual o réu faz parte.
Carlos Rocha estava na lista de alvos da Polícia Federal na operação deflagrada em 27 de dezembro do ano passado, que resultou na prisão preventiva dos condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. No entanto, agentes não conseguiram localizá-lo nos endereços cadastrados. Desde então, não se tem notícias dele.
O réu acessou as redes durante esse período mesmo após proibição do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foi registrada uma última atividade dele no LinkedIn há duas semanas. Na plataforma, ele comentou que seria vítima de perseguição.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa não quis se manifestar e disse não ter informações sobre o paradeiro de Carlos Rocha.
Desinformação
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o núcleo 4 atuava para disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas nas redes sociais, como parte da estratégia para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
O presidente do Instituto Voto Legal teria falsificado um documento que serviu de laudo para representação eleitoral em que o Partido Liberal (PL) pediu a anulação da metade das urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno.
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, as provas demonstram que, ao elaborar o documento, ele sabia que não havia nenhuma irregularidade no sistema de votação e, mesmo assim, aderiu ao plano golpista.
Carlos Rocha foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
No entanto, foi absolvido pelos crimes de golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Outro foragido
O ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem também é considerado foragido. Condenado a 16 anos e um mês de prisão, ele deixou o Brasil em setembro de 2025, passando pela Guiana, sem passar pela fiscalização convencional. Segundo a Polícia Federal, ele usou um passaporte diplomático para viajar.
Mesmo foragido, Ramagem prestou depoimento por videoconferência diretamente dos EUA ao STF, no mês passado, sobre a depredação dos Três Poderes.
O Brasil oficializou um pedido de extradição ao governo dos Estados Unidos com base em acordos bilaterais para trazer o ex-deputado de volta.
A defesa de Ramagem não foi localizada. O espaço permanece aberto.










