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Brasil

Suíça mantém bloqueados R$ 2,8 bilhões da Operação Lava Jato

Relatório do Ministério Público do país europeu contabiliza valores congelados em operações que investigam caso de corrupção do Brasil

20/04/2018 09:06
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J.F.DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Suíça mantém bloqueados R$ 2,8 bilhões da Operação Lava Jato

Três anos depois de iniciar uma das maiores investigações de corrupção no país, o Ministério Público da Suíça revela que ainda mantém bloqueados cerca de R$ 2,8 bilhões relativos à Operação Lava Jato. Desde o acordo de leniência da Odebrecht, em 2016, os suíços afirmam que receberam pedidos de cooperação de diversos países onde empresas brasileiras atuaram, e atendem hoje a mais de 50 solicitações de troca de informações.

Os dados fazem parte do relatório anual do Escritório do Procurador-Geral da Suíça, divulgado nesta sexta-feira (20/4), que atualiza a dimensão do caso e deixa claro que o processo de investigação e de repatriação do dinheiro está longe de terminar. No documento, o MP suíço aponta: até agora, destinou ao Brasil apenas 20% do valor congelado no âmbito da Lava Jato.

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“Mais de 1 bilhão de francos suíços (R$ 3,5 bilhões) foram congelados no curso dessa série de casos”, apontou o órgão. “É de especial preocupação do Escritório do Procurador-Geral que a Suíça repatrie ativos congelados a seus donos de direito. Até agora, mais de 200 milhões de francos (R$ 700 milhões) foram repatriados às autoridades brasileiras em relação aos casos Petrobras/Odebrecht”, afirma.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que os R$ 2,8 bilhões ainda congelados se referem a contas de operadores, políticos, empresas de diversos setores, doleiros e suspeitos identificados no Brasil, na Suíça ou em outros países onde empresas brasileiras possam ter atuado. O informe não dá detalhes sobre os donos das contas e nem qual seria a participação de empresas como Odebrecht nesse total. Depois de fechar seu acordo de leniência com Brasil, Suíça e Estados Unidos, a construtora ainda foi obrigada a pagar 200 milhões de francos aos suíços.

Ao destacar a criação de uma força-tarefa específica para o caso, os suíços afirmam que os inquéritos derivados da Lava Jato se transformaram num dos maiores casos da seção de crimes de colarinho branco de seu Ministério Público. Segundo o documento, o valor congelado em ativos relacionados ao caso brasileiro superou os recursos bloqueados originalmente no processo que culminou na queda de Hosni Mubarak, no Egito – US$ 450 milhões. Para a Tunísia, outro país que viveu a Primavera Árabe, US$ 3,8 milhões foram repatriados pelos suíços.

Após o acordo de leniência da Odebrecht, os suíços ampliaram o caso e hoje atendem dezenas de solicitações de autoridades estrangeiras que acreditam terem sido lesadas pelas empresas implicadas na Lava Jato. Os números oficiais do MP suíço indicam: ainda existem 45 processos criminais abertos relacionados à Lava Jato – quase 10% de todos os inquéritos criminais abertos hoje na Suíça.

“Atualmente, a força-tarefa está processando e implementando mais de 50 pedidos de assistência”, indicou o documento. O jornal apurou que procuradores como os do Peru e Equador têm trabalhado em processos que envolveriam dados presentes nos arquivos suíços.

Outro foco da força-tarefa suíça tem sido o de investigar intermediários e operadores que tenham colaborado no Brasil com o desvio do mais de US$ 1 bilhão. “A força-tarefa está concentrada em pessoas e companhias envolvidas na Suíça”, disse. Um deles é Bernardo Freyburghaus, operador que, a partir do Rio de Janeiro, seria um dos responsáveis pela abertura de contas de vários suspeitos na Lava Jato. Desde a eclosão do caso, porém, ele se mudou para a Suíça, onde também tem nacionalidade.

Em nota, a Odebrecht afirma que “está colaborando com as autoridades no esclarecimento de todos os fatos” e reafirma seu compromisso “com a verdade e com uma atuação ética, íntegra e transparente, no Brasil e em todos os países nos quais atua”. Segundo a empresa, a efetividade da colaboração da empresa foi reconhecida não apenas pelo Ministério Público Federal, mas “por autoridades de outros países – Suíça, Equador, República Dominicana, Panamá, Guatemala e Estados Unidos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.