Senado aprova Dosimetria que beneficia Bolsonaro e presos pelo 8/1

Por 48 votos a 25, senadores chancelaram progressão de regime e redução de penas

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1 de 1 Senado-dosimetria1 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (17/12), o Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz penas para pessoas condenadas pelos atos do 8 de Janeiro e para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O projeto agora segue para a análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deverá vetá-lo.

Por 48 votos a favor e 25 contrários, o governo sofreu o segundo revés do dia a respeito da dosimetria. Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o parecer do relator Espiridião Amin (PP-SC) por 17 votos a 7. O desfalque se deu após o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ter feito um acordo para votar o projeto sem consultar a base e o Planalto.

O combinado implicava que a votação do projeto se daria nesta quarta-feira tanto na CCJ quanto no plenário, como havia sido estipulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Em troca, seria pautado o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 128/2025, que estabelece cortes em benefícios fiscais, um projeto prioritário para o governo fechar as contas no ano eleitoral de 2026.

O acordo irritou líderes de partidos como o MDB e o PSD, que criticaram os termos e abandonaram a votação na CCJ. O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) disse que o acordo é uma “farsa”, enquanto o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), chegou a reclamar publicamente da ausência de líderes do governo na sessão.

Sem saber do acordo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, negou que o Planalto tenha chancelado qualquer acordo envolvendo a dosimetria. “Quem atentou contra a democracia tem de pagar por seus crimes e, além disso, o projeto aprovado na Câmara beneficia condenados por vários outros crimes”, disse a ministra.

A base do governo também tentou que o relatório de Amin retornasse à Câmara. O senador catarinenese fez uma única mudança no texto aprovado pelos deputados há uma semana, acolhendo uma emenda de Sérgio Moro (União Brasil-PR), para limitar a dosimetria a crimes cometidos no contexto do 8 de Janeiro. A mudança se deu depois de críticas ao relatório do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que poderia abrir brecha para atingir condenados por diversos outros crimes.

O relator sustentou que se tratava de uma emenda de redação, ou seja, que não alterava o mérito do parecer chancelado pelos deputados e que, assim, poderia ir direto para a sanção presidencial. O presidente da CCJ chegou a determinar que se tratava de uma emenda de mérito, mas foi derrotado pela oposição, que manteve se tratar de uma emenda redacional.

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O texto aprovado pela CCJ do Senado não retornará à Câmara
Senador Esperidião Amin (PP-SC) e Davi Alcolumbre
No relatório, o senador Esperidião Amin (PP-SC) restringiu os efeitos da proposta de redução de penas especificamente aos envolvidos nos atos antidemocráticos
A análise começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ao pedido
Senador Esperidião Amin (PP-SC)
Esperidião Amin é relator do PL da Dosimetria no Senado
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Esperidião Amin é relator do PL da Dosimetria no Senado

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O texto aprovado pela CCJ do Senado não retornará à Câmara
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O texto aprovado pela CCJ do Senado não retornará à Câmara

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No relatório, o senador Esperidião Amin (PP-SC) restringiu os efeitos da proposta de redução de penas especificamente aos envolvidos nos atos antidemocráticos
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No relatório, o senador Esperidião Amin (PP-SC) restringiu os efeitos da proposta de redução de penas especificamente aos envolvidos nos atos antidemocráticos

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A análise começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ao pedido
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A análise começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ao pedido

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Bolsonaro também será beneficiado com dosimetria e pode ter a pena em regime fechado reduzida para até 2 anos e 4 meses
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Bolsonaro também será beneficiado com dosimetria e pode ter a pena em regime fechado reduzida para até 2 anos e 4 meses

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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre
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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP),  afirmou que irá manter a votação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria para esta quarta-feira (17/10)
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que irá manter a votação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria para esta quarta-feira (17/10)

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (17/12), o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (17/12), o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria

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Derrota para o governo, vitória para Alcolumbre 

A votação representa uma demonstração de força do presidente do Senado. Antes mesmo da votação na Câmara, Alcolumbre se comprometeu publicamente com a votação e defendeu a “modernização” da legislação que trata de crimes contra instituições democráticas.

Primeiro, quis que o projeto fosse deliberado direto no plenário, mas acabou enviando-o para a CCJ após ser pressionado. Assim, o presidente estipulou uma tramitação de uma semana para a dosimetria.

A relação entre Lula e Davi Alcolumbre está tensa desde que o presidente decidiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, e não Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como era pleiteado pelo atual presidente do Senado.

O acordo feito por Jaques Wagner para viabilizar a votação nesta quarta é visto como um aceno para Alcolumbre, que rompeu com o senador baiano diante da indicação de Messias.

O que diz o projeto

O substitutivo do Projeto de Lei (PL) nº 2.162/2023 estabelece que, em condenações por mais de um dos crimes contra Instituições Democráticas listados no Código Penal, deverá permanecer a pena mais severa, não podendo mais haver a cumulatividade de tempo de reclusão.

Também determina que a pena poderá reduzir em dois terços se os crimes forem cometidos em contexto de multidão — desde que o condenado não tenha excercido papel de liderança ou de financiador.

A dosimetria estabelece que condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mesmo em casos de reincidência, terão direito à progressão de regime se tiverem cumprido ao menos um sexto da pena.

Assim, o projeto poderá reduzir, segundo números estipulados na Câmara, a pena de Bolsonaro em regime fechado a cerca de 3 anos. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

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