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Brasil

Sem mencionar Moraes, Lula rompe silêncio e grava sobre crise no STF.

Primeira manifestação de Lula sobre o assunto foi gravado e divulgado nesta quinta-feira (3/9). Ele defende investigações amplas

03/09/2026 20:24, atualizado 03/09/2026 21:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou nesta quinta-feira (3/9) um vídeo sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Trata-se da primeira manifestação do titular do Planalto sobre o assunto. O presidente não cita nominalmente nenhum ministro da Suprema Corte no vídeo, mas discorre explicitamente sobre a crise no Poder Judiciário e o escândalo envolvendo o Banco Master.

Na gravação, Lula afirma que o Brasil “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defende a adoção de um código de ética para o Judiciário e para o Ministério Público, tema que é bandeira de petistas.

“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. A suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, disse.

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O presidente declarou ainda que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”. “Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas”, ponderou.

Lula também expressou que a população brasileira espera que o presidente do STF, Edson Fachin, e a Procuradoria-Geral da República “liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”.

“É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual”, pontuou o titular do Planalto.

Segundo integrantes da campanha de Lula, a ideia é conferir caráter institucional à primeira declaração de Lula sobre o assunto, com um tom mais presidencial do que de candidato. O vídeo foi gravado no Palácio do Planalto.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, entre terça-feira (1º/9) e quarta-feira (2/9), Lula manteve conversas, separadamente, com o presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Nas conversas individuais, Lula teria afirmado que não é de seu interesse alimentar a crise e que seu objetivo é ajudar a pacificar o ambiente.

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Aliados defendem que o presidente mantenha distância do caso. Embora Lula não esteja envolvido no episódio, a avaliação é de que há tendência de associar Moraes ao governo, o que pode respingar na campanha de reeleição em andamento.


Crise no STF

  • A divulgação na terça-feira (1º/9) de relatório da Polícia Federal (PF) que mostra mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do STF Alexandre de Moraes, e um pedido de explicações do relator do caso Master na Corte, ministro André Mendonça, provocou crise no STF.
  • Os investigadores apontam ainda que Moraes teve oito encontros com Vorcaro.
  • No momento, a expectativa é de que Edson Fachin, presidente da Corte, chamará julgamento do caso ao plenário. Mas ainda não há data prevista.
  • Na manhã dee quarta-feira (2/9), Fachin afirmou em evento do STF que os fatos sobre mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, em apuração no âmbito do Caso Master, serão apurados “no devido tempo e sem precipitação”.
  • Fachin será o responsável por decidir se o relatório da PF que mostra as trocas de mensagens, além dos pedidos de proteção do banqueiro ao ministro, será levado ao plenário da Corte, como pediu Mendonça.

Confira a íntegra da fala:

“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. A suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos.

Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.

Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.

A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.