RJ: valor apreendido por PF com auditores em porto soma R$ 4,2 milhões
Nas fotos divulgadas, é possível ver grande quantidade de dinheiro em espécie, valor proveniente de esquema de corrupção
atualizado
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A Polícia Federal (PF) consolidou o balanço total do dinheiro em espécie apreendido na casa de auditores da Receita Federal, no Rio, nessa terça-feira (28/4). Segundo a corporação, o valor contabilizado ultrapassa R$ 4,2 milhões, incluindo dólares, euros, libras e reais, oriundos de corrupção.
Nas fotos divulgadas, é possível ver grande quantidade de dinheiro em cash, valor proveniente de esquema de corrupção de mercadorias importadas no Porto do Rio de Janeiro.
Veja balanço consolidado de apreensões:
- Dinheiro (Reais): R$ 1.517.750
- Dinheiro (Dólar): US$ 467.753 ~ R$ 2.408.927
- Dinheiro (Euro): 50.265 EUR ~ R$ 281.484
- Dinheiro (Libras): 140 GBP ~ R$ 910
- Total em espécie: R$ 4.209.071
- Celulares: 54
- Veículos: 17
- Relógios de luxo: 11
- Passaportes: 17
- Arma: 1 revólver
- Munições: 10 (calibre .38)
- 1 investigado preso por posse ilegal de arma de fogo e munições.
A apreensão ocorreu no contexto da Operação Mare Liberum, que investiga associação criminosa com envolvimento de importadores, despachantes e servidores públicos, suspeitos de facilitar contrabando e descaminho mediante pagamento de propina.
Ao todo, 25 servidores da Receita foram alvo de diligências na manhã dessa terça: 17 auditores fiscais e oito analistas tributários. Eles foram afastados de suas funções no órgão.
- As cédulas em reais, em sua maioria, além de euros e dólares, foram apreendidas na residência de uma auditora da Receita Federal na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro.
- Dólares empacotados e embalados em fundo branco foram recolhidos na residência de um auditor, em Niterói.
- Por fim, na casa de um terceiro auditor, em Copacabana, no Rio, outras notas em reais foram encontradas escondidas embaixo da cama e apreendidas.
Além do valor em espécie, o esquema de corrupção envolvendo contrabando de mercadoria soma cerca de R$ 86,6 bilhões, do período de julho de 2021 a março de 2026, segundo a Receita Federal.
Entenda a operação
As investigações começaram em fevereiro de 2022, a partir de apurações internas da Corregedoria da Receita Federal que identificaram a existência de organização criminosa estruturada, composta por servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários.
O grupo atuava de forma coordenada para liberar irregularmente mercadorias, com divergências entre produtos importados e declarados, e possível supressão de tributos.
A investigação identificou três principais frentes de atuação da organização criminosa. A primeira consistia na liberação direta de mercadorias classificadas nos canais vermelho e cinza, considerados de alto risco, sem o cumprimento das exigências legais.
Já a segunda frente envolvia o setor de óleo e gás, para liberar embarcações e outros equipamentos nessa área sem a devida fiscalização, mediante propina. A terceira consistia em “recebimento de vantagens indevidas pagas por operadores portuários”.
Segundo a Receita Federal, as investigações seguem em curso para responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados.












