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Regalias: chefes do CV faziam clareamento dentário na cadeia

Investigação aponta dinheiro do crime para pagar dentista dentro da cadeia. Procedimentos estéticos incluíam clareamento, lentes e implantes

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Comando Vermelho
1 de 1 Comando Vermelho - Foto: Arte/Metrópoles

Presos em Bangu 3, líderes do Comando Vermelho (CV) apontados por ordenar ataques a policiais durante a megaoperação no Alemão e na Penha faziam clareamento dentário, colocação de lentes de contato e implantes dentro do presídio, pagos com dinheiro do crime.

Ao menos quatro dos dez criminosos que estão em processo para serem transferidos ao sistema penitenciário federal — e hoje detidos em Bangu 1 por prevenção — atuaram diretamente na coordenação da retaliação, que deixou 113 mortos.


Confronto

  • Na operação, quatro policiais – dois civis e dois militares – morreram. Conforme apurado pela coluna do Metrópoles Mirelle Pinheiro, 14 agentes e militares seguem internados.
  • RJ tem um plano para recuperar favelas dominadas pelo Comando Vermelho.
  • Criminosos do CV que estavam presos em Bangu bancavam com dinheiro do crime serviços estéticos nos dentes.

As consultas foram realizadas por três dentistas diferentes, dentro de uma área específica da unidade prisional, e eram pagas pelos próprios traficantes, segundo fontes policiais ouvidas pelo Metrópoles.

Os valores, de acordo com as investigações, vinham das atividades ilícitas da facção. Outros integrantes do CV que não estão na lista de transferência também usufruíram dos procedimentos.

A brecha para a realização desses serviços surgiu devido à falta de especificação judicial sobre quais atendimentos odontológicos seriam permitidos. Sem detalhamento, os criminosos exploravam a lacuna para contratar tratamentos estéticos com profissionais autorizados a entrar na unidade.

Em uma dessas idas a Bangu 3, um dentista foi flagrado por agentes ao entrar com um iPhone 14 Pro Max destinado ao traficante Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho.

Naldinho, membro do Conselho Permanente do CV, é considerado braço-direito de Fernandinho Beira-Mar e mantém relação com Edgard Alves de Andrade, o Doca da Penha, apontado como o líder máximo da facção em liberdade no Rio. Ele já tentou sair da cadeia com um alvará de soltura falso e determinou uma “trégua” das atividades da facção durante a reunião do G20, em novembro do ano passado.

Após os episódios revelados, juízes do Rio passaram a proibir procedimentos estéticos nos presídios. O dentista flagrado com o celular chegou a ser suspenso, mas retornou ao trabalho em setembro, ainda que impedido de realizar tratamentos estéticos.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap-RJ) afirmou que não compactua com qualquer tipo de regalia em suas unidades prisionais.

“A Seap faz questão de reforçar que não compactua com qualquer tipo de regalia em unidades prisionais e reitera que nenhum profissional dentista particular adentra nas unidades sem a devida autorização judicial. Na ocasião, neste caso específico, ao flagrar o porte de celular com o dentista autorizado pelo juiz, a Seap o impediu da entrada, fazendo denúncia formal, inclusive, o direcionando à Delegacia”, informou o órgão.

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A ação ocorreu em 28 de outubro
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Sob comando de Castro, Polícia do Rio já matou mais de 800 pessoas
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Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
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A ação ocorreu em 28 de outubro

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Operação letal

É a operação mais letal da história do Rio de Janeiro. Entre as vítimas, estão quatro policiais mortos em confronto com criminosos ligados ao Comando Vermelho.

Entre os nomes já confirmados, conforme revelou a coluna Mirelle Pinheiro, está Pepê, considerado um dos principais líderes do CV no Pará. Também morreram Chico Rato e Gringo, ligados ao comando do tráfico em Manaus.

Mazola, DG e FD — que respondiam pela estrutura da facção na Bahia — figuram na lista divulgada pelo governo fluminense. Fernando Henrique e Rodinha, com posições de chefia em Goiás, além de Russo, apontado como liderança do CV no Espírito Santo, também foram mortos no confronto.

Todos tinham histórico de crimes graves, como homicídios de policiais, tortura e domínio armado sobre comunidades inteiras. O grupo se escondia em áreas de mata na Penha, onde mantinha uma base equipada com arsenal de guerra e sistema de vigilância por drones.

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