Andreza Matais

ONGs de advogados de Marcinho VP criticam ação contra Comando Vermelho

Instituto Anjos da Liberdade, de Flávia Fróes, foi à Corte Interamericana. ABL Cárcere, presidida por irmã, publicou nota de repúdio

atualizado

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Reprodução/Record TV
Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho
1 de 1 Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho - Foto: Reprodução/Record TV

ONGs e associações presididas por advogados e familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, se manifestaram nesta quarta-feira (29) contra a operação policial nas favelas da Penha e do Alemão, ocorrida ontem (28).

A ONG Instituto Anjos da Liberdade, presidida pela advogada Flávia Fróes, que defende Marcinho, denunciou a operação à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Já a Academia Brasileira de Letras do Cárcere, a ABL Cárcere, presidida pela irmã de Marcinho, publicou uma nota repudiando a ação policial. Autor de quatro livros, Marcinho ocupa a cadeira nº 1 da ABL Cárcere.

Preso desde 1996, Marcinho VP foi condenado por assassinar e esquartejar dois traficantes rivais. Nesta quarta, um perfil dele no Instagram publicou uma imagem dos corpos enfileirados na favela da Penha. “Hoje, o Rio virou cenário de luto e indignação. A FAVELA PEDE PAZ!”. Segundo o ex-desembargador Siro Darlan, da ABL Cárcere, esse perfil é administrado por familiares de Marcinho.

“A Academia Brasileira de Letras do Cárcere repudia a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou na morte, até aqui, de 128 pessoas, inclusive quatro policiais”, diz a nota da ABL Cárcere.

“Tratam-se de execuções sumárias promovidas pelo Estado, à revelia de qualquer processo legal. Ainda que fossem todos suspeitos de integrar uma organização criminosa, eles teriam que ter assegurada a presunção de inocência e o devido processo legal. Não há pena de morte no Brasil”, afirma o texto.

O Instituto Anjos da Liberdade (IAL) foi à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para pedir “medidas cautelares urgentes” em favor dos “defensores de direitos humanos” e dos familiares das vítimas.

No ofício à CIDH, o instituto solicita proteção da Polícia Federal para familiares de vítimas; a “cessação da destruição de provas”; o afastamento dos agentes envolvidos nas mortes; e a suspensão de “operações policiais de grande porte no Estado do Rio de Janeiro”, entre outras medidas.

Até o momento, a polícia do Rio afirma que 119 pessoas morreram na operação, incluindo quatro policiais. O objetivo das forças de segurança era prender Edgar Alves de Andrade, o Doca.

Considerado um dos principais líderes do CV, Doca é investigado por mais de 100 homicídios e continua foragido. Outros supostos líderes da facção, como Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão do Quintungo”, foram presos.

Fotos dos mortos durante a operação

À coluna, Flávia Fróes disse ter feito fotos dos corpos de cerca de trinta das vítimas, que exibiriam sinais de execução. De acordo com ela, o objetivo é evitar que os corpos sejam sepultados sem a devida documentação. Fróes afirmou ainda ter obtido permissão das famílias das vítimas para produzir as imagens.

“Num confronto, você não vai ter facada nas costas (…). Nós documentamos com a autorização dos familiares (…). O IML não costuma tirar fotos dos corpos, ainda mais em operações. Usualmente, já não tira. Numa operação desta monta, aí é que não vai fazer”, disse ela. Segundo a advogada, essas fotos serão enviadas à CIDH.

Fróes disse ainda que não trabalha mais com réus do tráfico há três anos. Confirmou, porém, que segue atuando em um processo de Marcinho VP.

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