População tem razão em reclamar do preço dos alimentos, diz Lula
Presidente atribui pressão sobre preços às guerras e diz que governo já destinou mais de R$ 50 bilhões para segurar combustíveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (12/10) que o governo precisa encontrar formas de baratear os alimentos. Segundo o petista, a população “tem razão” em reclamar dos preços.
“Eu acho que o povo tem razão de dizer: ‘Olha, estão caras as coisas’. E nós vamos ter que encontrar um jeito de fazer com que as coisas fiquem baratas. Não tem meia conversa nisso”, afirmou após participar de missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida no Alvorada.
Em meio à disputa do segundo turno, o petista também defendeu as medidas adotadas pelo governo para tentar conter a inflação, especialmente os subsídios aos combustíveis.
O presidente disse que o objetivo do governo é aumentar o poder de compra dos brasileiros. “Nós queremos que o povo possa ganhar mais e, com o salário que ele ganha, comprar mais cesta básica. Nós já fizemos isso e a gente pode fazer outra vez”, acrescentou.
A declaração ocorre em um momento de nova pressão sobre os preços. O IPCA, considerado a inflação oficial do país, avançou 0,82% em setembro e acumula alta de 4,58% em 12 meses, segundo o IBGE. O resultado ficou acima do teto de 4,5% da meta de inflação.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs alimentos voltaram a subir depois de três meses consecutivos de queda. O grupo alimentação e bebidas teve alta de 0,83% em setembro, enquanto a alimentação no domicílio avançou 0,96%. Entre os produtos que mais encareceram estão tomate, batata-inglesa e cebola.
Lula, no entanto, comparou o desempenho dos preços dos alimentos durante seu mandato com o do governo anterior. Segundo o presidente, a inflação acumulada dos alimentos teria ultrapassado 56% nos quatro anos anteriores e ficado em cerca de 13% durante seu atual governo.
“Nós encontramos o país com uma inflação de alimentos de mais de 56% nos quatro anos do governo passado. Nós reduzimos, no nosso governo, para 13% a inflação de alimentos dos quatro anos. E eu acho que ainda está caro”, disse.

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Ao explicar a pressão sobre os preços, Lula citou fatores externos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que afeta o mercado de fertilizantes, e os conflitos no Oriente Médio, que pressionaram as cotações internacionais do petróleo.
O presidente também destacou a política adotada pelo governo para impedir que a disparada do petróleo seja repassada integralmente aos combustíveis no Brasil. Segundo ele, mais de R$ 50 bilhões já foram destinados a subsídios.
“Nós estamos subsidiando com mais de R$ 50 bilhões, com dinheiro arrecadado da própria Petrobras, para que o combustível não aumente o preço do feijão, do arroz, da cebola e do tomate aqui no Brasil”, afirmou.
Lula disse ainda que a estratégia utiliza parte das receitas obtidas pela Petrobras com a valorização e a exportação do petróleo para amortecer os efeitos da alta internacional sobre os consumidores brasileiros.
“Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue ao povo brasileiro. Já colocamos mais de R$ 50 bilhões como subsídio para evitar o aumento do combustível”, declarou.
Apesar das medidas citadas pelo presidente, os dados mais recentes do IBGE mostram que os combustíveis subiram 1,41% em setembro. A gasolina avançou 1,21%, e o óleo diesel, 1,69%.
Ao defender que o governo precisa continuar atuando para reduzir o custo de vida, Lula recorreu à própria experiência durante os períodos de hiperinflação no país.
“Eu sei o que é o preço da comida. Eu cheguei a trabalhar com inflação de 80% ao mês e, quando recebia meu salário, tinha que correr ao supermercado e comprar tudo que não era perecível, senão meu salário era consumido”, afirmou.
