A 16 dias do 2° turno, governo Lula lança pacote para baratear combustíveis
Combustíveis tiveram inflação de 1,41% em setembro, mesmo com subsídios. Governo desonerou PIS e Cofins da gasolina

O governo federal anunciou, nesta sexta-feira (9/10), um conjunto com quatro medidas para conter a alta dos combustíveis. A principal delas é sobre a gasolina. Mas as medidas também contemplam etanol e o óleo diesel de uso rodoviário. A princípio, a duração será por 30 dias. O custo adicional com as medidas é de R$ 2,65 bilhões por mês.
Veja quais são as medidas:
- O governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina. Já havia uma redução nos tributos que resultava em R$ 0,63 a menos por litro, com a nova medida, o desconto passa a ser de R$ 0,89;
- Para o álcool, houve prorrogação da desoneração dos tributos sobre o combustível no valor de R$ 0,19 por litro;
- Também para o álcool, houve a ampliação da subvenção econômica aos produtores e às cooperativas de produtores de etanol hidratado. Com isto, o valor sobe de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro;
- Houve anúncio de um adicional de R$ 1,40 por litro aos importadores de óleo diesel de uso rodoviário. Já existe uma subvenção de R$ 2,12, com isto, a subvenção total resulta em R$ 3,52 por litro.
As desonerações serão feitas por meio de decreto a ser assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já as ampliações nas subvenções serão realizadas por meio de portaria da Fazenda. As publicações devem ocorrer ainda nesta sexta.
O anúncio das medidas ocorre a 16 dias da realização do segundo turno das Eleições. O presidente Lula ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) no primeiro turno.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNessa quinta-feira (8/10), o Datafolha apontou Flávio na dianteira, com 52%, mas em empate técnico com Lula, que tem 48%. Levantamento Atas Intel desta sexta apresenta cenário semelhante, com 52,8% a 47,2% a favor de Flávio.
O custo mensal das novas medidas será de R$ 2,65 bilhões por mês:
- Nova desoneração da gasolina: R$ 700 milhões;
- Aumento na subvenção do álcool: R$ 350 milhões;
- Incremento na subvenção do diesel: R$ 1,6 bilhão;
- Somando as três medidas são R$ 2,65 bilhões.
Nas contas do governo federal, o impacto estimado das medidas para gasolina e etanol, considerando as medidas que já estavam vigentes, é de R$ 3,6 bilhões em 2026.
No último dia 24, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que já direcionou R$ 40 bilhões para as medidas que tentam conter os preços dos combustíveis por causa da guerra no Oriente Médio. O governo federal defende que os gastos serão compensados pelas receitas extraordinárias de petróleo da União.
A informação foi repassada à imprensa no Auditório do Ministério da Fazenda, em Brasília, durante entrevista coletiva com participação, além de Moretti, do ministro da Casa, Dario Durigan.
Também estiveram presentes os secretários Renato Dutra (Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Morishita (secretário Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública). Moretti afirmou nesta sexta que, para que a redução chegue ao consumidor, é necessário um empenho fiscalizatório.
“É fundamental que a população fiscalize, que o sistema de fiscalização siga vigilante para que a gente possa ter essa repercussão. Vamos aguardar, a gente vai observando os preços semanalmente para ver se haverá um efeito. A nossa expectativa é que sim, possa haver repasse desses valores para o consumidor final”, disse o ministro.
Medidas do governo para segurar os preços
- Com a alta no preço do petróleo impactando os preços dos combustíveis no Brasil, o governo ofereceu inicialmente um subsídio para os principais combustíveis, com o objetivo de conter um possível impacto inflacionário.
- Em março 12 de março houve subvenção direta de R$ 0,32 por litro do diesel pagos aos produtores e importadores.
- Também no dia 12 de março houve anúncio da isenção das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização de óleo diesel, gerando uma redução direta de R$ 0,32 por litro do diesel.
No dia 8 de abril foi feita a publicação dos Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026, estabelecendo alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel importado e comercializado. A economia estimada de face em R$ 0,15 por litro de biodiesel puro. - Em julho foi a vez da concessão de subvenção econômica de R$ 0,44 por litro para a gasolina, instituída por Medida Provisória.
- Já em 9 de setembro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a Medida Provisória 1.391/2026, que autorizou a concessão de uma nova subvenção econômica de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário.
- De 10 de setembro a 9 de outubro de 2026 vai vigorou a isenção total (alíquota zero) de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, gerando um alívio de R$ 0,19 por litro.
- Também para o período de 10 de setembro a 9 de outubro de 2026 foi determinada a redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a importação e a comercialização de gasolina.
- Ministério da Fazenda prorrogou, na última sexta-feira (26/9), por 30 dias a subvenção que resulta em abatimento de R$ 1,12 no preço do diesel. Somando com a dedução de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário, o combustível tem ajuda de custo de R$ 2,12 por litro.
Combustíveis pesam na inflação
Em setembro deste ano, os preços dos combustíveis aceleraram 1,41%. Esta alta, junto com a elevação das passagens aéreas (9,66%), fez o grupo transportes representar o segundo maior impacto na inflação do mês.
Transportes representou 0,18 ponto percentual da inflação de setembro, que ficou em 0,82%. O maior impacto veio de habitação, puxada pela alta na energia elétrica.
Veja os aumentos por tipo de combustível:
- etanol: 3,16%;
- óleo diesel: 1,69%;
- gasolina: 1,21%; e
- gás veicular: 0,10%.
Efeito guerra
A guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel começou no dia 28 de fevereiro deste ano. Os preços do petróleo variam diante de restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma importante rota do comércio global para vários produtos.
Um dos exemplos da relevância da passagem para o comércio entre os países é a quantidade de petróleo que passa pelo local — de 20% a 25% de todo combustível fóssil consumido no mundo.
O estreito é a principal via de saída do petróleo produzido na região do Golfo Pérsico, que inclui a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o próprio Irã.
Nos dias anteriores ao conflito, o preço do barril de petróleo tipo brent variava na casa dos US$ 70. Com a escalada bélica, o item chegou a ultrapassar os US$ 120.

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Ver todasNesta sexta, o barril do petróleo tipo brent estava em queda logo pela manhã. Depois o produto havia subido a cotação e tinha preço estável no comparativo das últimas 48 horas. Às 11h05, o item era negociado a US$ 104,11, representando uma ligeira queda de 0,17%.
