Vacinômetro do governo: 11 dos 22 ministros de Estado já se vacinaram

Apesar de discurso errático de Bolsonaro, maioria dos ministros já se vacinou ou informou que tomará imunizante quando chegar a vez

atualizado 19/06/2021 8:50

Hasteamento da Bandeira Nacional no Palácio da Alvorada com o presidente Jair Bolsonaro e ministrosHugo Barreto/Metrópoles

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue com a tática de questionar a eficácia das vacinas contra a Covid, 11 dos 22 dos ministros já tomaram ao menos uma dose do imunizante. Na capital federal, onde residem, a vacinação está na faixa etária de 49 anos; pessoas com comorbidades acima dos 18 anos também já podem se imunizar.

O primeiro ministro do governo Bolsonaro a se vacinar foi o decano Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), de 73 anos. Em seguida, foi a vez de Paulo Guedes, do Ministério da Economia, com 71 anos. Tereza Cristina, da Agricultura, foi a terceira imunizada. Ela tem 66 anos, a mesma idade do presidente da República. Os três tomaram a Coronavac.

Em 28 de abril, durante uma reunião no Ministério da Saúde da qual participou sem saber que estava sendo gravado, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, 64, anunciou que se vacinou “escondido”. Segundo ele, a orientação do Palácio do Planalto era “não fazer alarde”. Ramos não sabia que o encontro estava sendo transmitido ao vivo, nas redes sociais do ministério. Outro ministro militar vacinado foi Bento Albuquerque (Minas e Energia). Ramos e Bento tomaram a AstraZeneca.

Além deles, foram vacinados com a primeira dose a ministra Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e os ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Carlos França (Relações Exteriores), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações) e Gilson Machado (Turismo) —  os três últimos vacinados pelo chefe da Saúde, o médico Marcelo Queiroga. Este, por sua vez, foi vacinado antes de entrar no cargo, por ser profissional de saúde.

O presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, e da Caixa, Pedro Guimarães, também foram vacinados por Queiroga nos últimos dias.

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Além dos 11 ministros, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, 67, já tomou as duas doses da vacina Coronavac e incentivou a população a fazer o mesmo.

Aos 57 anos, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) já está em idade de se vacinar e havia informado que tinha a intenção de fazê-lo, porém até o momento sua assessoria não informou se ela já se imunizou.

Outro ministro que já poderia ter se vacinado à essa altura é Onyx Lorenzoni, 66 anos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Por meio de sua assessoria, ele informou que está controlando a imunidade e, a princípio, tomará a vacina quando todos estiverem vacinados. O discurso é o mesmo do presidente Bolsonaro, que tem dito que vai esperar o último brasileiro da fila se imunizar.

Procurados, os ministros Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Fábio Faria (Comunicações) disseram que pretendem se vacinar quando chegar a vez na fila. Eles têm 45 e 43 anos, respectivamente.

Não responderam a reportagem as assessorias dos ministros Walter Braga Netto (Defesa), Milton Ribeiro (Educação), João Roma (Cidadania), André Mendonça (Advocacia-Geral da União), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Anderson Torres (Justiça).

A assessoria do ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União, informou que ele não irá se manifestar por se tratar de “assunto pessoal relacionado ao ministro e não de atribuições institucionais do órgão”.

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Autoridades do governo infectadas

Dos 22 ministros do governo, 15 foram diagnosticados com Covid-19 desde o ano passado. A lista inclui nomes que não compõem mais o primeiro escalão do governo, como Jorge Oliveira, ex-titular da Secretaria-Geral, Marcelo Álvaro Antônio, ex-chefe do Turismo, e Eduardo Pazuello, ex-chefe do Ministério da Saúde.

O presidente Jair Bolsonaro foi infectado pelo vírus em julho do ano passado. No dia 25 do mesmo mês, anunciou que estava curado. Além de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão também apresentou diagnóstico positivo para a Covid-19, bem como a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

No início de maio, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que havia apresentado sintomas de uma possível reinfecção da Covid-19.

Na ocasião, ele não informou se fez um teste para confirmar o diagnóstico, mas disse que tomou um medicamento sem comprovação científica e eficácia contra a doença e que, no dia seguinte, estava bem.

Apesar de dizer que apresentou sintomas, o presidente não ficou em isolamento social, como orienta o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nas últimas semanas, Bolsonaro cumpriu expediente normal e de forma presencial, no Palácio do Planalto, e realizou viagens pelo país.

Vacinação de Bolsonaro

Bolsonaro está apto para se vacinar contra a Covid-19 desde 3 de abril, quando o governo do Distrito Federal liberou a imunização para pessoas com 66 anos – idade do presidente.

No ano passado, em diversas ocasiões, o mandatário declarou que não tomaria a vacina porque já estava imunizado por ter sido infectado. Especialistas afirmam, entretanto, que a imunização é imprescindível para quem já contraiu a doença, pelo risco de reinfecção e disseminação do vírus.

Recentemente, Bolsonaro tem dito que não vê problema algum em se vacinar, mas que caso o faça, será o “último da fila”.

Na última quinta-feira (17/6), durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente afirmou que quem já contraiu a Covid-19 está imunizado “até de forma mais eficaz” que a própria vacinação contra a doença.

“Todos que já contraíram o vírus estão vacinados. Até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou o vírus para valer. Então, quem pegou o vírus, não se discute, está imunizado”, disse.

“Eu estou vacinado, entre aspas [por ter sido infectado]. […] A questão da vacina, né… Eu estou dando exemplo. Depois que a última pessoa se vacinar, eu me vacino, tá? Enquanto isso, eu continuo tranquilo na minha”, prosseguiu Bolsonaro.

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