Bolsonaro sobre recusa em se vacinar: “Imbecil, já contraí o vírus. Estou imune”

O presidente também criticou a decisão que obriga a Anvisa a apreciar em até 72 horas a liberação de vacinas aprovadas no exterior

atualizado 17/12/2020 20:02

Bolsonaro durante a Comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e do Dia Internacional do Voluntário, no palácio do Planalto 1Igo Estrela/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro demonstrou irritação com as críticas de que vem promovendo uma campanha de desmobilização em relação ã vacinação contra a Covid-19. Em entrevistas e mesmo em discursos, Bolsonaro afirmou que não iria tomar a vacina. Ao discursar em uma cerimônia no sul da Bahia, o presidente xingou seus críticos de “imbecis”. “Imbecil, já tive o vírus, portanto, já estou imune”.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro apontou as recomendações de fabricantes de vacinas que, segundo ele, não se responsabilizam por possíveis efeitos colaterais e fez piadas homofóbicas com o imunizante.

“Outra coisa, que tem que ficar bem clara aqui, doutora Raíssa, lá na Pfizer, tá bem claro lá no contrato: ‘nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral’. Se você virar um chi… virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disse o presidente.

É importante lembrar que ainda não há estudo conclusivo sobre quanto tempo uma pessoa que contraiu a doença pode ficar imune a ela. Além disso, tanto no Brasil como no mundo, já existem casos de reinfecção comprovados.

Outra decisão que vai de encontro com a postura do presidente foi tomada por unanimidade do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta quinta-feira (17/12). A corte decidiu que quem optar por não receber as doses da vacina contra a Covid-19 deverá sofrer punições ou medidas restritivas.

O presidente ainda se colocou contra a obrigatoriedade de a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter que aprovar, em caráter emergencial, vacinas que já receberam o aval de outras entidades mundiais.

“Tem num projeto, uma medida provisória que chegou alterada pra mim, um artigo que dizia que a Anvisa tinha 72 horas para certificar, se não certificasse, certificado estava. Eu vetei. O Congresso derrubou o veto. Nós estamos mexendo com vidas. Cadê a nossa liberdade, que a gente fala tanto em liberdade?”, disse o presidente, sendo aplaudido pelos presentes ao evento que ocorreu em Porto Seguro (BA).

“E outra coisa: quem não quiser tomar vacina, se porventura ele contrair o vírus na frente e a vacina for comprovadamente eficaz lá na frente, que a gente não sabe ainda, a responsabilidade é dele. Não podemos obrigar. Aqui nós vivemos numa democracia, pô. Aqui não é Venezuela, aqui não é Cuba. E não temos ditadura aqui, como a imprensa cansa de alardear. Não persegui gays, não persegui mulheres, não persegui nordestinos, não persegui negros, liberdade total”, declarou.

Bolsonaro ainda disse que o Congresso deu uma “pisadinha na bola” ao derrubar seus vetos.

“Tenho profundo respeito pelo Parlamento, o Parlamento tem nos ajudado em muita coisa. Obviamente, alguma coisa a gente não chega a um acordo, e é natural, porque se tudo o que eu fosse mandar pra lá fosse ser aprovado, não seria democracia, e nós queremos democracia. O Parlamento tem obrigação, e continua aperfeiçoando. Deu uma pisadinha na bola nessa derrubada de veto, aí vocês deram. Porque dá vontade de pegar lá quem votou pra derrubar o veto e, vem cá, ô, cara, vai tomar injeção ou não? Vai tomar a vacina da China ou não vai? Você derrubou o veto, pô, dá exemplo”.

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Em comunicado enviado à imprensa na tarde desta quinta, a Pfizer reclamou da burocracia da Anvisa e anunciou que não deve pedir uso emergencial da vacina contra a Covid-19 no Brasil.

Além disso, em decisão de caráter liminar, ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou estados e municípios a comprar imunizastes, desde que tenha sido aprovado para uso por, pelo menos, uma autoridade sanitária de outro país, caso a Anvisa não regulamente uma vacina estrangeira em 72 horas, .

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