Presidente da comissão de Covid-19 considera importante Bolsonaro se vacinar

Jair Bolsonaro vem afirmando nos últimos meses que não tomará imunizante, pois já foi infectado pela doença. "Tenho anticorpos", argumenta

atualizado 12/01/2021 18:24

Justiça Federal obriga Bolsonaro a usar máscaraIgo Estrela/Metrópoles

O presidente da comissão mista do Congresso que acompanha as medidas do governo no enfrentamento à pandemia da Covid-19, senador Confúcio Moura (MDB-RO), afirmou nesta terça-feira (12/1) que acha importante o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se vacinar contra a doença.

A declaração foi feita a jornalistas após o parlamentar se reunir, nesta tarde, com o chefe do Executivo federal, no Palácio do Planalto.

Questionado se achava importante a imagem do presidente Bolsonaro se vacinando, a exemplo de outros líderes, como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que todos os chefes de Estado devem “irradiar uma onda positiva” acerca da imunização contra o novo coronavírus, por meio do exemplo.

“Eu acho importantíssimo todos os líderes que possam levar um exemplo e irradiar uma onda positiva. Que realmente saia com essa demonstração de oferecer seu corpo à vacina como instrumento de segurança e proteção da população. Acho sim”, disse.

Nos últimos meses, Bolsonaro vem afirmando que não tomará a vacina contra a Covid-19, pois já foi infectado pela doença, em junho do ano passado.

Em 17 de dezembro, ele ainda chamou de “idiota” quem o vê como mau exemplo por não se imunizar.

“Alguns falam que eu tô dando um péssimo exemplo. Ou é imbecil [apoiadores aplaudem] ou idiota quem tá dizendo que eu dou péssimo exemplo. Eu já tive o vírus. Eu já tenho anticorpos. Pra que tomar vacina de novo?”, disse o presidente.

Além da questão do exemplo apontada pelo senador, há inúmeros casos de reinfecção comprovados no mundo, inclusive no Brasil, indicando que quem foi contaminado não está imunizado permanentemente.

Cartão de vacinação em sigilo

Na semana passada, o Palácio do Planalto decretou sigilo de até 100 anos ao cartão de vacinação de Bolsonaro e a informações sobre as vacinas que ele recebeu ou eventualmente receberá.

A coluna do jornalista Guilherme Amado, da revista Época, fez o pedido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), ao que a Presidência respondeu que os dados “dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem” do presidente e impôs sigilo ao material.

Nesta terça, a Justiça Federal deu um prazo de 72 horas para que a União justifique o sigilo. A decisão é da juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu e parte de pedido feito pela presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada federal Gleisi Hoffmann.

Na justificativa, a magistrada afirma que a tutela de urgência só pode ser concedida liminarmente ou após a justificação prévia. Diante disso, defende adotar “cautela em se ouvir previamente o lado demandado”. A decisão foi publicada às 18h30 dessa segunda-feira (11/1).

Apresentação de relatório

Ainda durante a reunião com Bolsonaro, Confúcio Moura afirmou que apresentou ao presidente o relatório final dos trabalhos da comissão do Congresso, divulgado em dezembro do ano passado.

Nele, foi recomendado que o Executivo concretize o plano de vacinação e um debate sobre imunizantes pautado por informações técnicas e científicas.

De acordo com o senador, Bolsonaro foi um “bom ouvinte” e caberá ao presidente e à sua equipe de ministros aproveitar “essas boas sugestões”.

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