Observatório da OAB repudia denúncia contra Glenn Greenwald

Cofundador do The Intercept foi acusado pelo MPF de ter "auxiliado e orientado" grupo que hackeou telefones de autoridades

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 21/01/2020 18:15

O Observatório da Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados (OAB) repudiou, nesta terça-feira (21/01/2020), a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista Glenn Greenwald. Para eles, o procurador da República Wellington Divino de Oliveira, que assina o documento, “criminaliza a mera divulgação de informações, o que significa claro risco para a liberdade de imprensa”.

“A denúncia descreve fato que não pode ser considerado crime. A participação em qualquer delito exige instigação ou colaboração efetiva para sua prática, e nenhuma das mensagens do jornalista incluídas no expediente do MPF indica qualquer desses comportamentos”, sustentaram.

Gleen foi denunciado no âmbito da Operação Spoofing por ter “auxiliado, incentivado e orientado” o grupo criminoso que hackeou telefones de autoridades e repassou as mensagens ao The Intercept Brasil, site cocriado pelo jornalista estadunidense. Isto porque Greenwald teria dito, segundo o MPF, que o grupo deveria apagar os arquivos que foram enviados a ele. “Os diálogos demonstraram que Glenn Greenwald foi além ao indicar ações para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal”, diz a denúncia.

Para o procurador, isso demonstrou “clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção à fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”.

Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Glenn não poderia ser alvo das investigações. Por isso, ele nem sequer foi indiciado pela Polícia Federal (PF).

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