Spoofing: entenda por que Glenn foi denunciado, segundo o MPF

Jornalista norte-americano é o responsável por publicar uma série de reportagens que ficou conhecida como Vaza Jato

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 21/01/2020 16:07

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta terça-feira (21/01/2020) o jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do site The Intercept Brasil, no âmbito da Operação Spoofing, que investiga suspeitos de hackear celulares de autoridades.

Greenwald é o responsável por publicar uma série de reportagens que ficou conhecida como Vaza Jato, que mostra mensagens suspeitas trocadas entre o ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

O jornalista americano não foi investigado nem indiciado pela Polícia Federal (PF). Para o MPF, contudo, ficou comprovado que ele “auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões”.

Glenn Greenwald não era alvo das investigações por causa de medida cautelar proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que proibiu apurações sobre a atuação do denunciado.

No texto da decisão, o ministro afirmou que Greenwald deveria ser afastado das acusações devido à proteção do sigilo constitucional da fonte jornalística.

Troca de mensagens
O MPF ressaltou em nota que, durante a análise de um MacBook, foi encontrado áudio de um diálogo entre Glenn Greenwald e Luiz Molição, outro preso na operação.

O equipamento foi apreendido na casa de Walter Delgatti Neto, o Vermelho, apontado como um dos líderes da suposta organização criminosa. A conversa ocorreu logo após a imprensa divulgar a invasão sofrida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

“Nesse momento, Molição deixa claro que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas e pede orientações ao jornalista sobre a possibilidade de ‘baixar’ o conteúdo de contas do Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo site The Intercept”, explicou o MPF, na denúncia.

Greenwald então indicou que o grupo criminoso deveria apagar as mensagens que já tinham sido repassadas para o jornalista, de forma a não ligá-lo ao material ilícito.

Para o MPF, a prática caracteriza “clara conduta de participação auxiliar no delito” e busca “subverter a ideia de proteção à fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”. “Greenwald, diferentemente da tese por ele apresentada, recebeu o material de origem ilícita, enquanto a organização criminosa ainda praticava os crimes”, apontou o MPF.

Veja trechos da conversa:

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O outro lado
O Metrópoles tenta contato com a defesa do jornalista Glenn Greenwald, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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