Mourão sobre operação em Jacarezinho: “Polícia agiu como polícia”

Para vice-presidente, houve um enfrentamento entre policiais e criminosos que exigiu uma ação mais combativa dos policiais na operação

atualizado 10/05/2021 12:50

Hamilton Mourão discursandoRomério Cunha/VPR

Nesta segunda-feira (10/5), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) voltou a comentar a operação policial na favela do Jacarezinho (RJ), que deixou 29 mortos. Segundo ele, a Polícia Civil carioca agiu de maneira regular, dado o enfrentamento com os supostos criminosos.

“A polícia tinha duas linhas de ação ali. A partir do momento que houve um enfretamento, ela caía fora ou agia como polícia, ela agiu como polícia”, disse Mourão em entrevista ao Uol.

Para Mourão, que também preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), o enfrentamento ao crime é semelhante ao combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.

“O combate a essas quadrilhas é igual ao combate ao desmatamento da Amazônia. Ele não passa única e exclusivamente pela repressão. Enquanto nós não encararmos a situação das favelas, que para ficar mais bonitinho a turma chama de comunidade, colocar rua, esgoto, casa com número, escola decente, atendimento de saúde decente, nós estaremos nesse combate ad eternum.”

Mourão afirmou ainda que há guerrilhas estruturadas no Brasil e defendeu o enfrentamento a elas para evitar dominação de regiões do país.

“O Estado brasileiro não pode permitir que áreas de uma cidade estejam dominadas por facções criminosas. Não pode ter grupo armado dominando parcela de locais do Brasil”, prosseguiu.

“Tudo bandido”

Logo após o episódio de Jacarezinho, Mourão afirmou que os mortos na operação eram bandidos.

“Tudo bandido! Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje. Lamentavelmente, essas quadrilhas do narcotráfico são verdadeiras narcoguerrilhas, têm controle sob determinadas áreas e são um problema da cidade do Rio de Janeiro”, disse o general na última sexta-feira (7/5).

A operação Exceptis, empreendida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na quinta-feira (6/5), registrou 28 mortes de suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e mais a do policial civil André Leonardo de Mello Frias, sepultado nessa sexta-feira (7/5).

Moradores da comunidade acusam os policiais de execução e banho de sangue. O Ministério Público do estado investiga as mortes.

De acordo com a Polícia Civil, até essa sexta eram 25 os mortos na operação – os outros quatro que fizeram o número passar para 29 teriam sido socorridos e morreram em hospitais.

A operação no Jacarezinho é considerada a mais letal da história do estado. Foram 9 horas de confronto. Duas pessoas foram atingidas no metrô.

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