Mourão sobre CPI: “Políticos reaparecem vestindo camisola de virgem”

Vice-presidente também afirmou que o depoimento de Pazuello será o mais difícil da CPI e senadores devem fazer interrogatório “bem duro”

atualizado 10/05/2021 11:33

Mourão e BolsonaroBruno Batista/VPR

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) criticou, nesta segunda-feira (10/5), a postura de alguns políticos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que apura ações e omissões do governo federal na pandemia de Covid-19. Segundo ele, figuras que estavam esquecidas reapareceram “vestindo uma camisola de virgem”.

Há cerca de duas semanas, Mourão havia dito que muita gente aproveita a discussão política para sair do limbo e ressuscitar.

“Vamos aguardar quais serão os desdobramentos da CPI. A CPI hoje ela trouxe à luz algumas figuras da política que estavam meio esquecidas e que reaparecem vestindo uma camisola já nova, ali de virgem”, disse Mourão nesta segunda em entrevista ao Uol.

O vice ponderou que não tem se envolvido nas articulações em torno da CPI, pois foge de suas responsabilidades, mas afirmou que não vislumbra a possibilidade de a CPI resultar em um impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Acho muito difícil que ocorra um impeachment do presidente Bolsonaro porque ele não cometeu crime de responsabilidade”, prosseguiu. Mourão citou a manutenção da popularidade do presidente e assinalou que ele possui “base consistente dentro do Congresso”.

Depoimento de Pazuello

A respeito do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, Mourão considerou que será o depoimento mais difícil da CPI. A oitiva de Pazuello estava prevista para a semana passada, mas foi adiada para o dia 19 de maio após Pazuello ter alegado contato com duas pessoas contaminadas pelo coronavírus.

Mourão afirmou conhecer Pazuello de muito tempo. “É um oficial valoroso, dedicado, tem uma capacidade de planejamento e, principalmente, de fazer a execução desse planejamento. Então, ele tem uma trajetória brilhante”, elogiou o vice-presidente. “Recebeu uma tarefa extremamente difícil de ser ministro da Saúde no meio de uma pandemia, não foi uma tarefa simples.”

“Será o depoimento mais difícil, é óbvio, ele tem que se preparar para isso, porque todos aqueles que estão lá vão fazer um interrogatório bem duro em cima das ações que ele fez ou deixou de fazer e ele terá que ter dados bem consistentes para apresentar. Ou seja, ele precisa ter uma preparação boa para isso”, prosseguiu Mourão.

Para o vice, Pazuello adotou o procedimento correto de se isolar porque teve contato com contaminados. Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, teria corrido um risco ao ir ao hotel de trânsito dos militares, onde Pazuello está hospedado.

Ainda de acordo com Mourão, Pazuello recebeu uma missão civil e deveria ter ido para a reserva antes de ir para a política. “Na minha visão — e eu falei isso para ele pessoalmente —, seria mais, digamos assim, correto ele ter passado pra reserva”, considerou.

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