Ministro do Turismo movimentou R$ 1,96 milhão em um ano, aponta Coaf

De acordo com o órgão de fiscalização, as operações financeiras não correspondiam à renda de Marcelo Álvaro Antônio

Valter Campanato/Agência Brasil

atualizado 17/05/2019 9:14

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações atípicas na conta bancária do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Relatório do órgão mostrou operações no valor total de R$ 1,96 milhão entre fevereiro de 2018 e janeiro de 2019. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A quantia foi movimentada em duas contas do Banco do Brasil por meio de saques, depósitos, transferências, cheques e pagamento de boletos. De acordo com o Coaf, no entanto, Álvaro Antônio tinha um salário líquido de deputado federal de R$ 22,1 mil como fonte de renda, além de uma empresa inapta na Receita Federal.

Do valor total, mais de R$ 50 mil foram movimentados em dinheiro vivo, ou seja, saques e depósitos. De acordo com o relatório do Coaf, obtido pelo veículo, as movimentações apresentaram “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”. Também houve, segundo o órgão, movimentações de recursos “incompatível com o patrimônio, a atividade econômica, ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”.

Esse relatório foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e deve ser encaminhado a Minas Gerais, onde já há uma apuração que envolve o nome do ministro de Jair Bolsonaro (PSL). Investigações da polícia indicam um esquema de candidaturas laranja no PSL de Minas com o objetivo de desviar verba de campanha.

Algumas candidatas pelo partido nas eleições do ano passado prestaram depoimento e afirmaram que foram convidadas a disputarem uma vaga, mas deveriam devolver parte do dinheiro do Fundo Eleitoral à direção regional da sigla, à época comandada por Álvaro Antônio. Pelo menos uma dessas mulheres afirmou que foi chamada para conversar diretamente com o ministro. Outras relataram que trataram com assessores dele.

Como parte das investigações, a Polícia Federal fez uma operação no início deste mês e cumpriu mandados de busca em gráficas apontadas na prestação de contas de campanha dessas candidatas. A PF, no entanto, não encontrou qualquer documento para comprovar o serviço prestado, o que indica que as mulheres mentiram para a Justiça Eleitoral.

Até o momento, o ministro tem negado as acusações que pesam sobre ele. Em nota, Álvaro Antônio se colocou à disposição da Justiça para a quebra de sigilos bancário e fiscal e declarou que todas as movimentações bancárias têm lastro legal e foram declaradas.

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