Lobista diz não lembrar qual senador “destravaria” compra de testes de Covid. Siga

Senadores aprovaram um requerimento que solicita à Polícia Legislativa um levantamento de todas as vezes que o lobista esteve no Senado

atualizado 15/09/2021 14:42

Roque de Sá/Agência Senado

Marconny Ribeiro Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos, afirmou, nesta quarta-feira (15/9), desconhecer o senador citado por ele em mensagens em posse da CPI da Covid-19 como sendo “facilitador” para destravar negociações de seu interesse junto ao governo federal.

As trocas de mensagens entre Marconny e outros atores investigados no âmbito da Operação Hospedeiro, do Ministério Público Federal (MPF) do Pará e obtidas pelo colegiado, mostram que o lobista, em atuação para destravar a venda de testes de detecção da Covid-19 ao Ministério da Saúde, alega que irá visitar um senador capaz de “desatar o nó”. No entanto, em depoimento, o advogado disse: “Não sei quem é este senador, não o conheço”.

As respostas evasivas do advogado, que em todos as oportunidades afirmou “não se lembrar” de quem seria o parlamentar, irritou os senadores. “Por gentileza, o senhor tem que ter responsabilidade com os membros desta CPI e com a população brasileira”, cobrou o senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

“É importante o senhor dizer que senador é esse, porque, senão, fica para nós aqui a dúvida: a gente olha para os senadores, e pode ser esse, pode ser aquele, pode ser esse, pode ser aquele…”, completou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

Diante da dificuldade em fazer o depoente informar a identidade do parlamentar, os senadores aprovaram um requerimento que solicita à Polícia Legislativa um levantamento de todas as vezes que o lobista esteve no Senado Federal e quais gabinetes visitou nas ocasiões. A resposta não havia sido fornecida pelos investigadores até a última atualização desta reportagem.

Acompanhe:

Faria entrou na mira da CPI por causa das relações com investigados e com o núcleo familiar do presidente Jair Bolsonaro. Em depoimento nesta manhã, ele confirmou, inclusive, ter utilizado o camarote de Jair Renan, filho 04 de Bolsonaro, no Estádio Nacional Mané Garrincha, para comemorar aniversário.

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Já a Precisa foi intermediária entre o laboratório indiano Bharat Biotech e o Ministério da Saúde nas negociações da vacina Covaxin. Após as denúncias se tornarem públicas, o Ministério da Saúde decidiu encerrar o contrato de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses do imunizante indiano.

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