Governador de Pernambuco critica ação da PM: “Repudiamos violência”

Vereadora Liana Cirne (PT) foi agredida por um policial. Segundo Paulo Câmara (PSB), comandante da operação e agentes foram tirados das ruas

atualizado 29/05/2021 17:08

Paulo Câmara, governador de PernambucoDivulgação

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), repudiou a ação da Polícia Militar do estado que, na manhã deste sábado (29/5), atirou balas de borracha e gás lacrimogênio contra manifestantes que realizavam ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Durante o ato, a vereadora Liana Cirne Lins (PT) foi agredida por um policial militar. Vídeo publicado em rede social mostra o momento exato em que o soldado dispara spray de pimenta no rosto da vereadora, que cai de imediato no chão (leia mais abaixo).

O governador informou que a Corregedoria-Geral da Secretaria De Defesa Social (SDS) já instaurou procedimento para instaurar os fatos e afastou os envolvidos na agressão da vereadora.

“Sempre pratiquei, na minha condição de governador de Pernambuco, os mesmos princípios que defendo como cidadão e democrata. Repudiamos todo ato de violência, de qualquer ordem ou origem. […] O oficial comandante da operação, além dos envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne permanecerão afastados de suas funções enquanto durar a investigação”, afirmou o governador.

“Sempre vamos defender o amplo diálogo, o entendimento e o fortalecimento das nossas instituições dentro da melhor tradição democrática de Pernambuco”, prosseguiu.

Agressão à vereadora

A equipe de Liana Cirne explicou ao Metrópoles que um grupo de advogados do mandato estava nas ruas, em plantão jurídico, para mediar e evitar ações arbitrárias contra os manifestantes. Com isso, eles ficaram sabendo que, próximo ao Palácio do Governo, a PM disparava balas de borracha e gás de pimenta contra as pessoas.

“A vereadora foi até lá para tentar dialogar com os PMs e evitar a violência, mas a resposta dos policiais foi o gás de pimenta”, afirmou o assessor da vereadora Pedro Ivo Bernardes.

Bernardes afirma que o gabinete vai prestar queixa do ocorrido. “Foi uma violência, uma truculência absurda e desnecessária. A manifestação estava ocorrendo de forma pacífica. Não havia necessidade de ter um batalhão de choque nas ruas”, afirmou.

Assista abaixo o vídeo do momento da agressão:

Em sua rede social, Liana publicou que não se arrepende do que fez.

“Não me arrependo por um segundo do que fiz. Estou sendo criticada por ser impetuosa. Mas se tenho uma carteira de couro com um brasão da Câmara Municipal, é para isso que ele foi feito! O único carteiraço que vale a pena dar na vida! Fiz e faria de novo!”, escreveu.

Veja o post:

Cirne recebeu os primeiros socorros dos próprios manifestantes. Em seguida, foi levada pela sua equipe a uma Unidade Básica de Saúde. Ela está bem, e terá que lavar os olhos com soro fisiológico durante o dia, devido à proximidade que o policial disparou o gás em seu rosto.

O Metrópoles solicitou um posicionamento da Polícia Militar de Pernambuco. Em nota, a corporação informou que não irá se pronunciar e que o governador do estado já se manifestou sobre o caso.

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