Flávio Dino: “Estarei no apoio a Lula em 2022, sem dúvida alguma”

Para o governador do Maranhão, as decisões de Fachin e de Gilmar Mendes são "pás de terra" sobre "absurdos" da Lava Jato.

atualizado 12/03/2021 8:29

Flávio DinoReprodução/Facebook

Embora tenha seu nome como um plano do PCdoB para a corrida eleitoral de 2022, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), diante da probabilidade de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022, aponta que “sem dúvida alguma” estará no apoio ao petista.

Em entrevista ao Metrópoles, Dino avaliou o primeiro discurso de Lula após a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações contra o petista, como uma sinalização à frente ampla.

“O posicionamento que ele adotou no discurso foi na direção de ser o articulador de um conjunto de forças capazes de derrotar o bolsonarismo. Esse foi o principal ponto. Você junta quem pode juntar com um programa amplo, que fale com o país inteiro, que pactue a nação contra a barbárie bolsonarista. E a reação foi positiva”, disse Dino.

“Acho que Lula é o nome mais indicado para ser candidato e, se ele for, de fato, eu, particularmente o apoiarei, sem dúvida alguma”, enfatizou o governador.

Reação positiva

Dino considerou um “sinal positivo” do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara, reconhecer a liderança do ex-presidente e suas diferenças com o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Um político como Rodrigo Maia, que hoje está no centro-direita, reagiu positivamente. Isso mostra que o discurso foi correto.”

“Lula respondeu no discurso dele que qualquer alternativa no campo da esquerda deve ser ampla. Eu achei posicionamento muito correto, com conteúdo e adequado ao que o Brasil está precisando agora. Lula sinalizou para diálogo amplo com todos os setores. Do que vi, gostei muito”, disse Dino.

“Lula é uma figura central, qualquer que seja o desenho eleitoral concreto. Seja candidato ou não, ele terá um papel de destaque, de protagonismo”, enfatizou.

Dino sempre manteve diálogo próximo com o ex-presidente da Câmara e foi um dos articuladores de apoio às suas duas eleições à frente da Casa, em 2016 e 2019. Ele percorreu gabinetes e levou o apoio do PCdoB a Maia. Isso rendeu lugar para a bancada comunista na Mesa Diretora durante a gestão de Maia.

Virada

Para Dino, a decisão do ministro Fachin muda profundamente o cenário político brasileiro. “Mais que uma possibilidade, nós temos hoje uma probabilidade de Lula ser o candidato. Isso altera bastante. Antes, essa hipótese era tida como impossível”, destaca.

Para o governador, os ventos da mudança atingiram o STF de vez desde que as conversas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores vieram à tona.

“O que mudou foi a revelação da absoluta e indiscutível conduta ilegal do Sergio Moro e dos procuradores. Criou-se uma demonstração espantosa, escandalosa, da quantidade de ilegalidade que o Sergio Moro e os procuradores cometeram. Trata-se de uma situação em que é tão evidente, tão nítida e tão escandalosa que realmente não há condição de qualquer tribunal do mundo validar esse nível de arbitrariedade e ilegalidade em Curitiba”, observou.

“Era inevitável a anulação. Ela poderia vir por incompetência da 13ª Vara, ou pela suspeição”, destacou. “Tenho até incapacidade de adjetivar com elegância o que foi feito em Curitiba.”

“Pás de terra”

Para o governador, apesar de o ministro ter mandado para a Justiça de Brasília os processos contra Lula, são assuntos “já liquidados” e que devem prescrever.

“Ainda mais com o voto do Gilmar Mendes (proferido no julgamento da suspeição de Moro)”, disse o governador, que já foi juiz federal, como Moro.

“O Fachin abriu a cova e o Gilmar botou as últimas pás de terra em cima desses absurdos”, completou.

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“Desinformado e mentiroso”

O governador maranhense também protagoniza seguidos embates com o presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, ele pediu no Supremo Tribunal Federal (STF) investigação do presidente pela divulgação em redes sociais de valores que o presidente disse ter repassado aos estados para o combate à Covid-19, em uma postagem na qual o presidente sustenta que o governo federal fez sua parte em relação à pandemia e insinua que os governadores, não.

Em outras representações enviadas à Corte, o governador ainda pede que o Judiciário obrigue o governo federal a reativar UTIs, além de determinações para que governadores possam comprar vacina mesmo sem aval da Anvisa.

A busca pelo STF se deu, segundo o governador, devido às mentiras do presidente Jair Bolsonaro.

“Para Bolsonaro, a mentira é parte do exercício do governo”, enfatiza.

Nesta semana, o governador, que já foi chamado por Bolsonaro de “pior dos governadores ‘de paraíba’”, referência preconceituosa feita pelo presidente da República aos nordestinos, voltou a ser alvo de ataques.

O presidente disse a apoiadores, em conversa na porta do Palácio da Alvorada, que Dino “pagou folha de salário”, mas não investiu os recursos na saúde.

Na conversa, Dino reagiu: “O Bolsonaro é desinformado e mentiroso. Ele provou isso mais uma vez”.

“Se ele fosse minimamente sério, saberia que existe um portal da transparência, que dinheiro do SUS tem uma fonte própria. Ele saberia que o mínimo constitucional de investimentos dos estados na saúde é de 12% dos estados, e que o estado do Maranhão investiu 15% na Saúde. Mas ele não sabe de nada”, respondeu. “Por isso que agora eu entro conta ele no STF.”

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