Enem: Bolsonaro diz que, por ele, tema da redação seria mais tranquilo

Edição da prova deste ano teve como tema da redação a "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil"

atualizado 24/11/2021 22:45

O atual presidente, Jair Bolsonaro, se filiou recentemente ao PL

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que, se dependesse dele, o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano seria “mais tranquilo”. A declaração foi feita à ISTV, de São Paulo, na manhã de segunda-feira (22/11). A entrevista foi divulgada na noite desta quarta (24/11).

A edição do Enem deste ano teve como tema da redação a “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. De acordo com Bolsonaro, “pouca gente sabe o que é [ser alguém] ‘invisível’.

“[A prova] Melhorou. Não é o que eu queria ainda. Acusaram a mim e ao ministro Milton de ter interferido no Enem. Se eu pudesse interferir, não teria questão ideologizada ali, pode ter certeza que não ia ter. E o tema da redação seria mais tranquilo. Pouca gente sabe o que é invisível. Invisível é o pessoal que foi obrigado a ficar em casa e não tinha ganhos”, declarou o presidente.

O chefe do Executivo federal ainda voltou a falar que, se pudesse, colocaria no exame uma questão sobre a ditadura militar e rebateu acusações de suposta interferência da gestão federal na prova.

“Se eu pudesse interferir, ia falar para fazer uma pergunta: ‘Quem foi o primeiro general ditador do Brasil? Foi Castello Branco, todo mundo concorda. Foi ditador. ‘Que dia que ele assumiu?’, se eu botasse 31 de março, 1º de abril, 2 de abril ou 15 de abril? Eu tenho certeza que 95%, no mínimo, ia errar”, disse.

O Enem

O primeiro dia de provas do Enem, realizado no domingo (21/11), apresentou uma questão com a música “Admirável Gado Novo”, do cantor Zé Ramalho, e abordou temas como racismo, povos indígenas, população carcerária e sexualização da mulher.

O item sobre a composição de Zé Ramalho pedia que o candidato interpretasse um trecho da letra da música, que fala sobre “massas” e “vida de gado”. A canção foi lançada em 1979, época da ditadura militar no Brasil.

Apesar das denúncias de interferência nas questões do certame, a prova trouxe a pauta racial em perguntas sobre o período da escravidão no Brasil e o aumento da população carcerária no país, a partir de dados que apontam a predominância de jovens negros entre os presos.

O exame também tratou da questão indígena, ao abordar a popularização do uso do termo “guarani kaiowá” nas redes sociais como forma de denúncia dos crimes cometidos contra os povos originários.

Os candidatos também precisaram analisar assuntos como a erotização do corpo feminino e desigualdade de gênero. Uma questão, por exemplo, trouxe o contexto das jovens cientistas no século 19 e tratou da exclusão que sofriam em função do patriarcado enraizado na sociedade.

O segundo dia do Enem está marcado para o dia 28 de novembro. Na data, os inscritos farão a prova de ciências da natureza e matemática.

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