Embaixador chinês ignora Planalto e trata com Mandetta e Maia

Após crise diplomática desencadeada por Eduardo Bolsonaro e Abraham Weintraub, embaixador Yang Wanming tem evitado contato com o Planalto

atualizado

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Erasmo Salomão/MS
Embaixador chinês e ministro da Saúde
1 de 1 Embaixador chinês e ministro da Saúde - Foto: Erasmo Salomão/MS

A crise diplomática com a China, criada por postagens do deputado federal e filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e aprofundada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem afastado o país asiático da relação com a com o Palácio do Planalto. Desde o início do embate diplomático, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, telefonou para o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

Após o filho “03” de Bolsonaro dizer que a culpa pelo novo coronavírus é do governo chinês, Weintraub publicou uma ilustração da turma da Mônica com símbolos chineses (como a bandeira e o panda) ridicularizando o sotaque chinês, substituindo a letra “r” pela letra “l”. Após a péssima repercussão, o ministro deletou o tuíte.

Tuíte de Wintraub ridiculariza sotaque chinês

Após a recusa de pedido de desculpas tanto por Eduardo quanto pelo ministro da Educação, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, tratou diretamente com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a cooperação entre os dois países no combate à Covid-19. O telefonema de Wanming ao ministro ocorreu um dia após a crise entre Bolsonaro e o chefe da pasta da Saúde, que quase resultou na demissão de Mandetta.

Nesta quinta, o embaixador ligou para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para reforçar a cooperação bilateral no combate à pandemia.

Maia tem sido crítico à gestão da crise da pandemia feita por Bolsonaro e chegou a pedir desculpas à China, em nome da Câmara, pelo comportamento do deputado Eduardo Bolsonaro.

“Como deputado federal e figura pública especial, as palavras do Eduardo Bolsonaro causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa, e ferem não só o sentimento de 1.4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês. Geram também interferências desnecessárias na nossa cooperação substancial. Tal comportamento é totalmente errôneo e inaceitável, veementemente repudiado pelo lado chinês”, manifestou a embaixada diante da acusação de Eduardo Bolsonaro.

O posicionamento da embaixada também foi encaminhado ao Itamaraty, mas o chanceler, Ernesto Araújo, tomou partido do filho do presidente. O ministro das Relações Exteriores escreveu que as palavras de Eduardo “não refletem a posição do governo brasileiro”, e reclamou da postura do embaixador chinês.

“É inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores. A reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática. Já comuniquei ao embaixador da China a insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento. Temos expectativa de uma retratação por sua postagem ofensiva ao Chefe de Estado”, escreveu Araújo.

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