Em vídeo, ao lado de Bolsonaro, Weintraub confirma demissão do MEC

Em um movimento para aliviar a tensão entre o Executivo e os outros Poderes, presidente decidiu demitir o ministro da Educação

atualizado 18/06/2020 17:36

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Envolto em polêmicas, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi exonerado nesta quinta-feira (18/06), por ordem do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). A medida foi tomada pelo chefe do Executivo após o titular da pasta se tornar alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), depois de chamar os ministros da Corte de “vagabundos”.

A medida foi anunciada em um vídeo, com os dois lado a lado, publicado no Twitter de Weintraub. Veja:

No vídeo, Weintraub agradece “todo apoio e carinho” que ele e a família estão recebendo das pessoas. “Desta vez, é verdade: sim, estou saindo do MEC. Neste momento não quero discutir os motivos da minha saída do cargo”, emendou, lendo o que chamou de “uma colinha”.

Ele será indicado para assumir uma diretoria no Banco Mundial.

Ao lado dele, o presidente estava sério, parecendo constrangido. Falando baixo, Bolsonaro afirmou: “É um momento difícil. Todos os meus compromissos de campanha continuam de pé e busco implementá-los da melhor maneira possível. A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando. E o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser”.

Agradeceu e apertou a mão do agora ex-ministro. O Planalto ainda não anunciou quem ficará no cargo interinamente. O mais cotado é o secretário de Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim. Correm por fora, a secretária nacional do Ensino Básico, Ilona Becskeházy, e o capitão-de-fragata Eduardo Melo, que chegou a ser secretário-executivo adjunto da pasta ainda sob o comando de Ricardo Vélez Rodriguez, o primeiro ministro da Educação de Bolsonaro, e depois foi alojado na TV Escola.

Na segunda-feira (15/06), Weintraub e Bolsonaro tiveram um encontro no Palácio do Planalto para discutir a demissão. Na visão de aliados do presidente, a iniciativa foi essencial para que o Executivo estabelecesse uma “bandeira de paz” com o Supremo, em meio às desavenças crescentes dos últimos dias.

Defensor de Bolsonaro, Weintraub movimenta as redes sociais com publicações que, embora aticem a militância bolsonarista, costumam gerar crises institucionais. Em uma delas, ele virou alvo de outro inquérito, também no STF, por racismo contra chineses. Essas atitudes, segundo aliados, podem prejudicar Bolsonaro, que tenta amenizar os transtornos entre os Três Poderes.

O titular da Educação sempre teve o apoio dos filhos do presidente. Nas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a publicar um texto em defesa de Weintraub. Para ele, “liberdade de expressão não pode ter lado”, em referência às falas polêmicas do ministro.

A gota d’água para fazer o copo de Weintraub no ministério transbordar teria sido o comparecimento dele às manifestações do último domingo (14/06). Junto com 15 manifestantes, ele desobedeceu uma ordem do governo do Distrito Federal que proíbe protestos na Esplanada dos Ministérios. Nessa segunda, o ministro foi multado em R$ 2 mil por não ter usado máscara na ocasião.

No encontro, Weintraub redobrou a aposta: “Eu já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”. Ele usou o mesmo termo que se referiu aos ministros do STF, durante a reunião ministerial.

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