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De “pega Centrão” a aliança: os momentos-chave de Bolsonaro com bloco

Presidente se aproximou paulatinamente do bloco ao longo dos três anos de mandato e busca fidelizar siglas para a campanha à reeleição em 22

atualizado

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Marcos Corrêa/PR
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1 de 1 jair bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

Depois de severas críticas ao bloco conhecido como Centrão, que reúne partidos de centro e centro-direita, o presidente Jair Bolsonaro (PL) se rendeu de vez ao grupo em 2021.

Após um primeiro ano de mandato marcado por dificuldades na aprovação de projetos no Congresso Nacional — como a reforma da Previdência e o pacote anticrime —, em 2020 Bolsonaro iniciou a entrega de cargos de segundo e terceiro escalões ao bloco.

As dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19 aceleraram ainda mais esse processo e a aproximação seguiu até 2021, quando o casamento foi selado. Ainda pressionado pela pandemia e acossado pela deterioração econômica, Bolsonaro entregou ministérios e ele mesmo voltou a integrar os quadros de uma das siglas expoentes do Centrão, o PL.

Em maio deste ano, foi revelado pelo jornal o Estado de S. Paulo o orçamento secreto, esquema de emendas parlamentares montado pelo Palácio do Planalto para reforçar o apoio no Congresso e que gerou um orçamento paralelo de ao menos R$ 3 bilhões.

Os congressistas que apoiaram os candidatos do governo nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado conseguiram direcionar muito mais gastos do orçamento por meio das emendas RP9, que não têm transparência, por serem definidas via relator-geral, sem informação pública de quem indicou os projetos a serem apoiados e as razões das escolhas. O esquema foi mais uma prova da aliança com o Centrão.

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Histórico

Na campanha eleitoral, Bolsonaro dizia que o Centrão era a reunião do que “há de pior no Brasil” e criticava o “tomá lá, dá cá” de gestões anteriores, que consistia na troca de cargos no governo por apoio no Congresso. Ele prometia negociar com deputados e senadores via bancadas temáticas ideologicamente alinhadas, como as da segurança pública, da agropecuária e a evangélica.

Em 2018, na convenção do PSL que oficializou a candidatura de Bolsonaro à presidência da República, o atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, cantou uma paródia do samba “Reunião de Bacana (Se Gritar Pega Ladrão)”, do cantor Bezerra da Silva: “Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”, substituindo a palavra “ladrão”, da letra original, pelo nome dado ao bloco partidário.

A paródia fazia referência à aliança de Geraldo Alckmin (PSDB) com partidos do Centrão. O próprio general admitiu ter mudado de opinião anos depois.

Após uma carreira de deputado federal de quase três décadas, o então candidato Jair Bolsonaro fazia questão de criticar o que chamava de “velha política”.

Já durante a transição de governo, o auxiliar Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que a relação com os parlamentares seria “completamente diferente”: “Sempre ficará muito claro que não haverá toma lá, dá cá. Nós vamos fazer os parlamentares se sentirem valorizados e respeitados, em uma relação absolutamente transparente, com o controle da própria sociedade, mas completamente diferente”.

A distância segura do Centrão se manteve ao longo do primeiro ano de mandato, mas a baixa aprovação de projetos em 2019, somada à sombra crescente de um impeachment, mostrou a Bolsonaro a necessidade de um aceno maior ao grupo.

Foi no segundo ano de mandato que os encontros com parlamentares do bloco tornaram-se mais frequentes. O próprio presidente admitiu indicações políticas a cargos de segundo e terceiro escalões, mas assegurou que a entrega não ocorria em ministérios, estatais ou bancos oficiais.

Nos primeiros meses de 2021, porém, Bolsonaro nomeou expoentes do Centrão em ministérios-chave: em fevereiro o deputado federal João Roma (Republicanos) tomou posse no Ministério da Cidadania; em março a deputada federal Flávia Arruda (PL) passou a coordenar a articulação política na Secretaria de Governo; e em julho o presidente licenciado do PP Ciro Nogueira assumiu a poderosa Casa Civil.

Em julho, Bolsonaro alegou ser “obrigado” a fazer uma aliança com o Centrão em prol da “governabilidade”. “Tirando partidos de centro e esquerda, sobrariam 150 deputados, e com 150 não vou a lugar nenhum. A minha aproximação com os partidos de centro é pela governabilidade, eu sou obrigado a fazer isso aí”, declarou o mandatário.

Ao lembrar que integrou partidos do bloco, Bolsonaro sentenciou: “Eu sou do Centrão” e minimizou as críticas ao grupo.

“Se você tirar o Centrão, tem a esquerda, pra onde é que eu vou? Tem de ter um partido se eu quiser disputar as eleições de 2022. Eu não leio jornal, o pessoal entrega pra mim uma matéria ou outra. Se eu leio, eu não trabalho, ou chego envenenado aqui”, disse ele em novembro.

Em novembro, Bolsonaro se filiou ao PL do condenado no Mensalão Valdemar Costa Neto, partido pelo qual deve disputar a reeleição em 2022. Bolsonaro busca garantir que a coligação conte ainda com PP, Republicanos e outras siglas do bloco, que devem indicar o candidato a vice.

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O Centrão

Foi na redemocratização que surgiram os embriões das legendas que hoje integram o Centrão. Desde o governo Sarney, o grupo dá sustentação ao governo de ocasião, independentemente da ideologia. É menos conhecido por suas bandeiras e mais pela característica fisiológica.

Apesar de o termo ter surgido ainda na Constituinte de 1988, a atual configuração do bloco foi formatada em 2014, sob o comando do então líder do MDB e posterior presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Cunha alavancou o Centrão no início do segundo mandato de Dilma Rousseff (PT) e garantiu que o bloco, até então aliados ao PT, desse os votos necessários ao impeachment.

Posteriormente, Cunha foi preso por corrupção na Operação Lava Jato, mas o bloco seguiu com grande relevância e garantiu sustentação ao governo Michel Temer (MDB).

Entre os partidos que compõem hoje o Centrão, estão PP, PL, Republicanos, Solidariedade e PTB. Siglas como PSD, MDB e DEM não se consideram parte do grupo, mas em negociações estratégicas costumam estar alinhadas, bem como legendas menores, como Pros, PSC, Avante e Patriota.

Alguns dos personagens principais do bloco no Congresso são o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); o líder do PL no Senado, Wellington Fagundes (MT); e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP).

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