"Pega Centrão": Augusto Heleno diz que mudou de opinião sobre bloco
Ministro afirmou que fala crítica ao bloco de partidos, proferida em 2018, durante campanha eleitoral, “faz parte do show político”

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse na quarta-feira (19/5) que mudou de opinião sobre o Centrão, bloco de partidos de centro e centro-direita que hoje constitui a base do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Durante a campanha eleitoral em 2018, em uma convenção do PSL que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República, Heleno cantou uma paródia do samba “Reunião de Bacana (Se Gritar Pega Ladrão)”, do cantor Bezerra da Silva: “Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”, substituindo a palavra “ladrão”, da letra original, pelo nome dado ao bloco partidário.
A paródia fazia referência à aliança de Geraldo Alckmin (PSDB) com o partidos do Centrão.
Em audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), o ministro foi questionado pelo deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) se mantinha a mesma avaliação, dado que o bloco agora é aliado no Congresso e ocupa cargos-chave na Esplanada dos Ministérios.
“Sobre Centrão: aquela brincadeira que eu fiz foi numa convenção do PSL, na época da campanha eleitoral. Naquela época, existia à disposição na mídia várias críticas ao Centrão. Não quer dizer que hoje exista Centrão. Isso foi muito modificado ao longo do tempo”, respondeu Heleno.
Veja vídeo de Heleno:
“Faz parte”
O ministro insistiu que a mudança de opinião faz parte da vida.
“E eu não tenho hoje essa opinião, e nem reconheço hoje a existência desse Centrão. Então, naquela época é uma situação. A evolução de opinião faz parte da vida do ser humano. Inclusive, vossa excelência [Kim Kataguiri] já mudou de posição várias vezes ao longo da sua trajetória política. Então, isso aí faz parte do show. Do show político”, prosseguiu.
O Centrão reúne legendas como Progressistas, PL e Republicanos, e se transformou na base de apoio ao governo de Jair Bolsonaro no Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), líder do grupo, foi eleito em fevereiro de 2021 com o apoio do Palácio do Planalto.
O ministro Augusto Heleno foi convocado à comissão da Câmara para prestar esclarecimentos sobre a disseminação de notícias falsas a respeito da pandemia pelo presidente da República. Ele tinha a obrigação de comparecer. O requerimento da convocação era de autoria de Kataguiri.


