Dataprev: presidente demitida voltará à empresa como conselheira
Christiane Edington passou um ano no cargo e foi responsável pelo enxugamento da estatal com o objetivo de privatizá-la no ano que vem
atualizado
Compartilhar notícia
A dança das cadeiras que envolveu o Ministério do Desenvolvimento Regional, a Secretaria da Previdência e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) continua rendendo novos lances. Demitida da presidência da Dataprev no início de fevereiro para ceder lugar ao ex-ministro Gustavo Canuto, a executiva Christiane Edington vai voltar ao órgão como membro do Conselho de Administração, indicada pelo Ministério da Economia.
Com histórico de atuação na iniciativa privada, como executiva da Telefônica Brasil, por exemplo, Christiane assumiu a Dataprev há um ano, escolhida diretamente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, com o objetivo de preparar a empresa estatal para a privatização, prevista para o primeiro semestre de 2021.
Com essa missão, promoveu um “enxugamento” que incluiu a desativação de 20 filiais da empresa estatal espalhadas pelo Brasil e a demissão de 500 funcionários, centralizando a operação em apenas seis estados e Distrito Federal.
A ação levou funcionários a realizar protestos e promover uma longa greve. Para o governo, porém, a presidente cumpriu bem seu papel, o que justifica sua recondução.
“A indicada foi presidente da Dataprev durante o ano de 2019 e tem competência e conhecimento para contribuir e otimizar os processos no conselho de administração da companhia enquanto ativo da sociedade”, informou o Ministério da Economia, em nota enviada ao Metrópoles.
Queda nos rendimentos
Segundo o estatuto da Dataprev, ao Conselho de Administração compete “o acompanhamento, a supervisão e o direcionamento das diretrizes estratégicas da empresa”. O conselho é composto por membros indicados pelo Ministério da Economia e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No novo cargo, apesar de ter menos trabalho, na teoria, já que as reuniões do conselho são mensais, vai receber um pagamento bem melhor. A estatal não é obrigada a divulgar individualmente o salário de seus funcionários, mas informou, em balanço, que o presidente recebe R$ 36.939 por mês, enquanto aos conselheiros são pagos R$ 3.849.
Prêmio de consolação
O atual presidente da Dataprev ganhou o cargo como uma espécie de prêmio de consolação após perder o comando do Ministério do Desenvolvimento Regional para o até então secretário da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, no início de fevereiro.
