Denúncias sobre Prevent são “extremamente graves”, diz diretor da ANS

Paulo Rebello presta depoimento à CPI da Covid, no Senado, nesta quarta-feira (6/10)

atualizado 06/10/2021 15:04

Edilson Rodrigues/Agência Senado

A CPI da Covid-19 ouve, nesta quarta-feira (6/10), o depoimento do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Roberto Rebello Filho. Ao colegiado, ele esclarece a ação da entidade diante das denúncias levadas ao grupo sobre a ação da Prevent Senior na pandemia. Rebello as considerou “extremamente graves”.

Acompanhe: 

O requerimento de convocação de Rebello é de autoria do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O senador alega que a necessidade do depoimento decorre do dossiê elaborado por ex-médicos da Prevent Senior e obtido pela comissão com “evidências de inúmeras e gravíssimas irregularidades cometidas pela operadora de plano de saúde”.

Em depoimento ao colegiado, a representante legal dos profissionais de saúde, a advogada Bruna Morato, narrou que a empresa teria promovido tratamentos experimentais nos pacientes da Covid-19 sem a devida autorização de familiares, além de ter estimulado o uso de medicamentos ineficazes contra a doença nos pacientes.

Há ainda denúncias de que funcionários seriam coagidos a recomendarem o uso dos medicamentos comprovadamente ineficazes e desestimulados a fazerem o uso de equipamentos de proteção individuais (EPIs) para não “criar pânico” em quem procurasse atendimento entre os hospitais da rede.

Rebello informou as senadores que a ANS foi surpreendida com as novas denúncias. “A ANS, até agora, não tinha qualquer indício de descumprimento de sua função social. Já estamos atuando firmemente nas diligências necessárias para sua apuração”, afirmou.

Rebello classificou as denúncias que envolvem a Prevent Senior como “extremamente graves”. “Exigem toda atenção, reflexão e ações resolutas. Essa CPI contribui para o aprimoramento de todas as instituições brasileiras”, disse.

Segundo o diretor da ANS, servidores da agência fizeram visita técnica na operadora. “Há pontos sensíveis e indícios de falhas operacionais. A operadora será notificada. Nosso objetivo não é a retirada da operadora do mercado, mas garantir a manutenção da qualidade assistencial aos beneficiários”, completou.

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“ANS foi omissa”

Em entrevista ao Metrópoles, a primeira diretora de fiscalização da ANS, a advogada Maria Stella Gregori, avalia que a atual diretoria da agência foi omissa em relação às denúncias que se acumulavam contra a Prevent Senior desde o ano passado.

“A ANS tinha instrumentos para observar o que estava acontecendo na Prevent Senior desde o ano passado. Tem de entender por que ela não fez isso”, ressalta a professora.

A agência reguladora só fez a primeira apuração na sede da Prevent Senior, em São Paulo, no último dia 17 de setembro. “Pelo que a gente sabe, a ANS começou a tomar providências só depois que a CPI da Pandemia e a imprensa começaram a pressioná-la”, criticou a ex-diretora.

Além de ser atualmente alvo de apuração da ANS, que tenta interrogar médicos e pacientes sobre as práticas da Prevent Senior, a operadora é investigada criminalmente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do estado de São Paulo. A CPI da Pandemia também analisa as práticas da operadora.

A Câmara Municipal de São Paulo também instalou uma CPI para investigar a operadora, e a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vota nesta quarta-feira (6/10) pedido de urgência para que seja instalada também uma comissão na casa.

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