Coordenador da Lava Jato: delação abriria novas investigações
El Hage afirmou que a delação do marqueteiro Renato Pereira revelaria maiores informações sobre a gestão de Sérgio Cabral
atualizado
Compartilhar notícia

O procurador Eduardo El Hage, coordenador da Operação Lava Jato no Rio, afirmou em entrevista à Folha nesta quinta-feira (16/11) que a delação premiada do marqueteiro Renato Pereira abriria novas frentes de investigações sobre a gestão Sérgio Cabral. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
El Hage criticou a demora do Supremo Tribunal Federal (STF) em homologar colaborações premiadas relacionadas às investigações no estado, bem como a decisão do ministro Ricardo Lewandowski de devolver a delação de Pereira.
“A força-tarefa da Lava Jato espera que o entendimento firmado pelo plenário do STF seja confirmado, e não o posicionamento isolado de um ministro”, disse o procurador.De acordo com o texto, ao analisar os benefícios dados a executivos da JBS, o plenário do STF decidiu que os benefícios penais negociados com delatores pela Procuradoria-Geral da República (PGR) devem ser mantidos até o fim de eventual processo decorrente da colaboração.
O ministro Lewandowski devolveu a delação do marqueteiro questionando justamente os critérios para estabelecer o limite de pena.
Pereira afirmou em sua delação premiada que Sérgio Cabral e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, todos do PMDB, participaram diretamente de negociações para direcionar licitações de publicidade. O marqueteiro também menciona o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas ele tem foro privilegiado e seria investigado pela própria PGR (Procuradoria-Geral da República).
“Vai abrir uma frente enorme na área de comunicação social do governo Sérgio Cabral. Era uma secretaria que nós não tínhamos nos aprofundado por falta de provas”, disse o coordenador da Lava Jato fluminense.
O procurador afirmou que há cinco delações no STF relacionadas às investigações no Rio ainda não homologadas.
“A força-tarefa da Lava Jato no Rio não teve uma colaboração premiada sequer homologada no Supremo Tribunal Federal. Isso tem impedido o avanço das nossas investigações e muitas vezes causado prejuízos irreparáveis para a colheita de prova”, afirmou El Hage.
As investigações da Lava Jato no Rio começaram em maio de 2016. Nesta sexta-feira (17/11) completa um ano da Operação Calicute, a primeira no estado, que prendeu Cabral.
