Bolsonaro diz que não abre alguns áudios enviados por Silas Malafaia

Presidente afirmou que pastor tem um gênio e às vezes fica “revoltado”, mas afirmou que discutir com o líder evangélico é “perder tempo”

atualizado 26/10/2021 19:51

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o pastor Silas Malafaia, no Palácio do PlanaltoDivulgação/PR

Em culto em comemoração aos 106 anos da Assembleia de Deus em Boa Vista (RR), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revelou que não abre alguns áudios enviados a ele pelo pastor evangélico Silas Malafaia. Bolsonaro discursou por cerca de meia hora na solenidade religiosa realizada na tarde desta terça-feira (26/10) na capital de Roraima.

O presidente comentava a boa relação que tem com o segmento evangélico, apesar de ser católico, quando deu detalhes sobre as mensagens trocadas com Malafaia.

“Tem áudio que às vezes ele está brigado comigo e ele manda para mim. Eu respondo: ‘Silas, não vou abrir seu áudio porque não quero brigar com você, não vou abrir’. Ele fica revoltado, porque eu não abri o áudio dele, mas é do gênio dele”, disse Bolsonaro.

O chefe do Executivo federal disse ainda que discutir com o líder evangélico é “perder tempo”.

Há algumas semanas, Malafaia acusou ministros de Bolsonaro de trabalharem contra a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) e cobrou de Ciro Nogueira (Casa Civil), Fábio Faria (Comunicações) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo) apoio explícito à indicação feita pelo presidente.

A indicação de Mendonça — que, além de ter sido ministro da Justiça e Segurança Pública e Advogado-Geral da União, é pastor presbiteriano — atende a uma promessa feita por Bolsonaro de indicar para uma vaga na Suprema Corte um ministro “terrivelmente evangélico”.

A tramitação está parada no Senado há mais de três meses. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tem barrado a marcação da sabatina de André Mendonça, primeiro passo para a análise da indicação. Ele tem forte resistência ao nome e defende alternativas.

Bolsonaro tem cobrado o senador, que foi aliado do governo, para que marque a sabatina. Nesta terça, ele afirmou que o país está “se Deus quiser, na iminência de ter um pastor ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Agenda em Roraima

Bolsonaro chegou a Roraima na manhã desta terça. Na primeira agenda do dia, ele visitou um acampamento da Operação Acolhida, que recebe refugiados da Venezuela. Em vídeo nas redes sociais, ele expôs a situação de alguns venezuelanos abrigados pela operação e acusou a esquerda brasileira de apoiar o regime do país vizinho.

Em seguida, Bolsonaro fez um sobrevoo em terras indígenas. O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), acompanha toda a agenda presidencial.

A visita de Bolsonaro à fronteira acontece no mesmo dia da leitura do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. O presidente, ao lado de mais 77 pessoas e duas empresas, está entre os indiciados no documento. Os três filhos mais velhos do presidente também foram incluídos no pedido.

Como de praxe em viagens oficiais, Bolsonaro voltou a descumprir regras sanitárias e circulou sem máscara por Boa Vista. Ao lado de Denarium, o presidente passeou pelas ruas em cima da caçamba de uma caminhonete e visitou a sede do governo.

Acompanham o presidente na viagem os ministros do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Augusto Heleno; da Justiça, Anderson Torres; e da Cidadania, João Roma. Também compõem o grupo parlamentares do estado e o pastor Magno Malta, ex-senador pelo Espírito Santo e aliado de primeiro hora de Bolsonaro.

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