Análise: Bolsonaro termina 2019 com seu núcleo duro abalado

Permanência do juiz de garantias, recuo no aumento a policiais e distanciamento das baixas patentes das Forças Armadas impactam popularidade

atualizado

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Daniel Ferreira/Metrópoles
Jair Bolsonaro em evento do Sebrae
1 de 1 Jair Bolsonaro em evento do Sebrae - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

O núcleo duro do chamado “bolsonarismo” é composto, basicamente, por três grupos: os conservadores nos costumes, que englobam desde os evangélicos até a parcela que defende a estrutura familiar tradicional; os “lavajatistas“, que não toleram qualquer forma de corrupção ou de ações que possam ser interpretadas como tal; e setores da sociedade que pregam um endurecimento no combate ao crime, sobretudo o organizado.

Terminado o primeiro ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro se indispôs – em maior ou menor grau – com ao menos dois desses grupos. Ao manter a figura do “juiz de garantias” no pacote anticrime, do ministro Sergio Moro, ele se indispôs com o grupo de apoiadores da Operação Lava Jato, que tem em Moro o seu principal expoente.

Exemplo claro disso é que, nesse sábado (28/12/2019), a bancada do Podemos, umbilicalmente ligada ao ex-juiz da operação, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida. Um dia antes, Moro foi ao Twitter dizer que era um “mistério” o que seria a atuação desse magistrado.

No mesmo dia em que Moro disparava contra a medida, Bolsonaro recuava, em praça pública, do compromisso de dar aumento de 8% às forças de segurança do Distrito Federal. Menos de 48 horas antes, o presidente havia assinado – mas não publicou – uma medida provisória garantindo o aumento.

Ele, dessa forma, se indispôs com parte da sua base de apoio na segurança pública. E não foi a primeira vez. Ao elaborar a reforma da Previdência dos militares, as baixas patentes das Forças Armadas se decepcionaram com o presidente. As críticas eram de que Bolsonaro melhorou a situação da altas patentes ao mesmo tempo que dificultou a das baixas.

Na época, soldados e cabos ensaiaram, inclusive, uma aliança com parlamentares do PSol para tentar amenizar as alterações propostas. A aliança, porém, não prosperou.

O grupo dos conservadores, por outro lado, teve poucas rusgas com o presidente. Com exceção a críticas direcionadas ora ao vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), por sua defesa da legalização do aborto em alguns contextos, ora ao advogado-geral da União, que disse não ser responsabilidade da sua pasta impedir o ensino de questões relacionadas ao gênero em escolas públicas, Bolsonaro passou ileso nessa relação.

Ainda assim, ele vem acumulando desgastes relevantes em grupos que, anteriormente, compunham a sua base de apoio mais fiel. Exemplo disso é a ampliação da bancada do Podemos e o racha no seu ex-partido, o PSL. Bolsonaro conseguiu vitórias importantes em 2019, sendo a mais relevante a reforma da Previdência, mas, ao mesmo tempo, começa a ver o terreno tornar-se mais árido para seus próximos projetos.

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