Tretas no Twitter: relembre embates durante tramitação da Previdência

Do momento em que a proposta foi enviada ao Congresso Nacional até agora, ocorreram diversas disputas entre os personagens dessa trama

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 13/07/2019 8:20

A ingrata missão de aprovar uma reforma impopular como a da Previdência, que torna mais duras as regras de aposentadoria, mexeu com os ânimos dos principais personagens envolvidos nessa trama e deixou sentimentos à flor da pele. Do momento em que a proposta foi enviada ao Congresso Nacional até agora, ocorreram diversos embates e as farpas foram disparadas para todos os lados, no mundo real e no virtual.

As redes sociais viraram, na atual gestão, uma das principais plataformas de comunicação, tanto do Executivo quanto do Legislativo. Novas medidas foram anunciadas, agradecimentos foram feitos e, claro, enfrentamentos ocorreram.

Os personagens envolvidos, direta ou indiretamente, com a Previdência deixaram a criatividade fluir e não pouparam na troca de farpas no Twitter. “Usina de crises”, “inimputável” e “incendiário” foram alguns dos termos usados.

Arte de Kacio

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à frente da articulação para conseguir a aprovação da reforma na Casa, viu o nome envolvido em diversas ocasiões. Aos responder o ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou o governo de Jair Bolsonaro (PSL) como uma usina de crises.

Maia também disse que “pela primeira vez, o Parlamento vai ser bombeiro e não incendiário”. “Se fossemos depender da articulação do governo, teríamos 50 votos e não os 350 que esperamos”, atacou. A frase foi dita antes de o texto-base da reforma chegar ao plenário da Câmara para votação.

Em alguns dos vários embates, os desentendimentos ganharam um contorno um pouco mais agressivo. O presidente da comissão especial na Câmara que analisou o texto da reforma, Marcelo Ramos (PL-AM), rebateu críticas do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) e chamou o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de “inimputável” — que no dicionário quer dizer aquele “que não pode ser responsabilizado por suas ações”.

Não dá pra discutir com @CarlosBolsonaro porque ele é inimputável. Minha resposta é seguir trabalhando pelo Brasil e pelos brasileiros.

Críticas
O filho “zero dois” do presidente, aliás, ficou conhecido pelas duras críticas que faz, principalmente nas redes sociais, a diferentes pessoas. Durante o tempo em que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 tramitou na Câmara dos Deputados, o filho de Jair Bolsonaro não poupou o Congresso Nacional pela condução da reforma da Previdência.

Em um dos diversos ataques, Carlos escreveu na rede social que “vagabundos do país se uniram contra o governo para tentar torná-lo inviável”.

O vereador afirmou também que havia “uma clara e constante tentativa de provocação, como se tivessem querendo algo em troca da evolução do país”. “Riem diariamente da população que espera os projetos do governo serem apreciados a (sic) meses pelo Congresso Nacional. Sua arrogância faz ignorar que todo poder emana do povo”, bravejou.

A troca de farpas atingiu também a Esplanada dos Ministérios. Em uma outra ocasião, Marcelo Ramos disse que faltava humildade ao ministro da Economia, Paulo Guedes. “O Brasil não trabalha para ele. Ele que é empregado do Brasil”, criticou.

Ramos também desaprovou a conduta de Jair Bolsonaro em certos momentos e foi às redes sociais compartilhar opiniões em relação ao presidente da República. Ele criticou o fato de o mandatário brasileiro estar mais preocupado com “armas para caçadores” e com a “defesa do Olavo de Carvalho” — professor de filosofia on-line e considerado o guru de Bolsonaro.

E quando tudo parecia ter terminado em paz, Rodrigo Maia não perdeu a oportunidade de dar aquela última alfinetada no Executivo e dizer que a reforma foi aprovada “graças ao esforço do Parlamento”.

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