Delegado relata a Moraes que escolta impediu intimação de Bolsonaro
Segundo a PCDF, a equipe responsável pela escolta do ex-presidente impediu o cumprimento da intimação para uma oitiva

O delegado-chefe da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), Thiago Boeing, afirmou que não conseguiu intimar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) porque a equipe de escolta do ex-chefe do Palácio do Planalto impediu o cumprimento do ato.
O relato foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta quinta-feira (18/6).
A investigação conduzida pela delegacia apura a apreensão de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro encontrada com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz no Distrito Federal.
Os investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) pretendem ouvir o ex-presidente por videoconferência em 24 de junho, às 15h. Para isso, contudo, dependem de autorização de Moraes, já que a intimação pessoal não foi concluída.
Em manifestação apresentada ao STF, Bolsonaro afirmou que entregou a arma ao agente após constatar uma falha mecânica no armamento.
Segundo a defesa, a pistola estava sem condições de uso porque integrantes da equipe de segurança haviam retirado o percussor da arma sem o conhecimento do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária em razão da condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Inquérito
Em depoimento, o policial militar responsável pela abordagem relatou que o integrante do GSI afirmou trabalhar para Bolsonaro e, após ser questionado pelos agentes, informou que a pistola pertencia ao ex-presidente.
Segundo o agente, a arma foi entregue a ele na própria segunda-feira para verificação de uma falha mecânica. A intenção, ainda de acordo com o depoimento, era concluir o serviço e devolver o armamento na terça-feira (16/6).
Diante do caso, a PCDF instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da posse e da circulação da arma e comunicou a abertura da investigação ao ministro Alexandre de Moraes.



