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Manoela Alcântara

Equipe desativou arma de Bolsonaro por efeitos de remédios, diz defesa

Advogados afirmam que não havia decisão judicial que obrigasse o ex-presidente a entregar armas registradas em seu nome

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Imagem colorida do ex-presidente Jair Bolsonaro concedendo entrevista ao Metrópoles

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou que integrantes da equipe de segurança retiraram o percussor de uma pistola registrada em seu nome, sem o conhecimento dele, por receio dos efeitos de medicamentos psiquiátricos.

As informações foram prestadas pelos advogados de Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A resposta foi apresentada após Moraes solicitar esclarecimentos sobre a arma apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Segundo a defesa, a retirada da peça tornou o armamento inoperante e foi motivada por preocupações com possíveis efeitos dos medicamentos utilizados pelo ex-presidente.

Os advogados afirmam que a medida foi adotada sem que Bolsonaro soubesse e citam o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica como um dos fatores que levaram a equipe de segurança a agir dessa forma.

“Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, escreveu a defesa.

A defesa também sustenta que Bolsonaro percebeu uma falha no funcionamento da pistola e, sem saber que o percussor havia sido removido, entregou a arma ao agente para que fosse identificada a causa do problema e realizada eventual manutenção.

Os advogados também argumentam que, apesar da condenação imposta ao ex-presidente, não houve determinação do ministro para entrega das armas registradas em seu nome nem para o cancelamento dos respectivos registros.

Até o momento, Alexandre de Moraes não proferiu decisão sobre os esclarecimentos apresentados pela defesa.

PCDF abre inquérito

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que instaurou um inquérito para apurar por que uma pistola registrada em nome de Bolsonaro foi encontrada com um agente do GSI durante uma abordagem policial no Distrito Federal, na noite de segunda-feira (15/6).

investigação ficará a cargo da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte). A informação foi comunicada pela corporação ao ministro Alexandre de Moraes.

Em depoimento, o policial militar responsável pela abordagem relatou que o integrante do GSI afirmou trabalhar para Bolsonaro e, após questionamentos dos agentes, informou que a pistola pertencia ao ex-presidente.

Segundo o agente, a arma foi entregue a ele na própria segunda-feira para verificação de uma falha mecânica. A intenção, ainda de acordo com o depoimento, era concluir o serviço e devolver o armamento na terça-feira (16/6).