Mourão após vazamentos sobre Moro: “Não vejo nada demais nisso daí”

O vice-presidente disse que o ministro da Justiça e Segurança Pública tem a confiança de Jair Bolsonaro (PSL)

Valter Campanato/Agência BrasilValter Campanato/Agência Brasil

atualizado 10/06/2019 14:03

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) saiu em defesa do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, após vazamento de mensagens entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol. Nesta segunda-feira (10/06/2019), o número 2 do Planalto afirmou que o ex-magistrado tem a confiança do mandatário do país, Jair Bolsonaro (PSL), e o apoio da população.

Conversas do ministro divulgadas nesse domingo (09/06/2019) revelam interferência nas investigações da Operação Lava Jato. As mensagens trocadas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba, foram reveladas pelo site The Intercept Brasil.

Mourão, no entanto, minimizou a situação. “Conversa privada é conversa privada. Quando descontextualizada, pode trazer ilações. O ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente. É uma pessoa que, dentro do país, tem o respeito de enorme parte da população”, destacou.

O vice-presidente se reuniu nesta manhã com Bolsonaro. O encontro ocorreu por volta das 10h desta segunda-feira e não foi divulgado na agenda oficial.

Para Mourão, a interferência de Moro não compromete os resultados da investigação. “Em relação aos processos ocorridos na Lava Jato, todos eles passaram por primeira, segunda e outros já chegaram à terceira instância. Não vejo nada demais nisso daí tudo”, frisou.

Os diálogos mostram que Moro sugeriu ao Ministério Público Federal (MPF) uma troca na ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos, pistas, e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Vazamento
O site The Intercept divulgou, nesse domingo (09/06/2019), uma série de reportagens expondo diálogos de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

A publicação apresentou mensagens privadas, gravações em áudio, fotos, vídeos e documentos judiciais que foram compartilhados entre o agora ministro da Justiça e o procurador. Essa situação, no entanto, seria questionável, pois no sistema acusatório no processo penal brasileiro o acusador e o julgador não podem se misturar.

Procurado, Moro criticou a reportagem e lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo”.

Ao comentar a denúncia, o ministro disse que as mensagens trocadas não apresentam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Alegou, inclusive, que trechos foram retirados de contexto.

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