Para Marco Aurélio, Moro colocou em dúvida “equidistância” da Justiça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) defendeu que a relação entre juiz e procurador seja transparente, mas evitou falar da Lava Jato

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atualizado 10/06/2019 11:28

Após a divulgação da troca de mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello ressaltou que a colaboração entre eles “coloca em dúvida a equidistância” entre os órgãos julgador e acusador. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Para o ministro do STF, a relação de ambos deve ser tratada de forma transparente e com ampla publicidade. No entanto, o magistrado preferiu não comentar se o caso poderá influenciar de alguma forma ações da Operação Lava Jato.

O site The Intercept divulgou, nesse domingo (09/06/2019), uma série de reportagens expondo diálogos de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

A publicação apresentou mensagens privadas, gravações em áudio, fotos, vídeos e documentos judiciais que foram compartilhados entre o agora ministro da Justiça e o procurador. Essa situação, no entanto, seria questionável, pois no sistema acusatório no processo penal brasileiro o acusador e o julgador não podem se misturar.

Procurado, Moro criticou a reportagem e lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo”.

O ministro minimizou a denúncia e disse ainda que as mensagens trocadas não apresentam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Alegou, inclusive, que trechos foram retirados de contexto.

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