Moro explicou e Bolsonaro entendeu caso de vazamentos, diz nota do MJ

Mensagens privadas indicam que Moro trocava informações com o procurador Deltan Dallagnol sobre a Lava Jato

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 11/06/2019 17:03

Depois da repercussão do vazamento de mensagens sobre a operação Lava Jato, o ministro Sergio Moro foi até o Palácio do Alvorada para conversar com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) na manhã desta terça-feira (11/06/2019). De lá, os dois seguiram para uma cerimônia da Marinha. Embora a Presidência da República mantenha silêncio sobre o tema, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, pasta chefiada por Moro, divulgou uma nota indicando que o assunto foi esclarecido.

“A conversa foi bastante tranquila. O ministro fez todas as ponderações ao presidente, que entendeu as questões que envolvem o caso”, diz o texto.

De acordo com a nota, os dois falaram sobre a invasão de celulares de juízes, procuradores e jornalistas. A ação foi rechaçada por Moro e classificada como “criminosa”, uma vez que as conversas privadas foram obtidas de forma ilegal. O ministro explicou que o caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

Conversas privadas revelam uma suposta interferência de Sergio Moro nas investigações da Lava Jato. As mensagens trocadas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação em Curitiba (PR), foram reveladas pelo site The Intercept Brasil no último domingo (09/06/2019).

O porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, informou que o presidente só se pronunciaria depois da conversa com o ministro nesta terça. No entanto, até o momento, não houve manifestação de Bolsonaro.

Nesta tarde, Sergio Moro esteve no Senado Federal com a bancada do PL, PSC e DEM para pedir apoio para o projeto anticrime que está no Senado. O relator é o senador Marcos do Val (Cidadania-ES), que deve entregar seu parecer até o final deste mês.

Troca de mensagens
A publicação do Intercept apresentou mensagens privadas que foram compartilhados entre o agora ministro da Justiça e o procurador Deltan Dallagnol, que estava à frente da força-tarefa da Lava Jato.

Procurado, Moro criticou a reportagem e lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo”.

O ministro minimizou a denúncia e disse ainda que as mensagens trocadas não apresentam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Alegou, inclusive, que trechos foram retirados de contexto.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se pronunciou pelo afastamento do ministro Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol. O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu uma investigação contra o procurador

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