Bolsonaro pede que Senado mantenha mudanças na MP da reestruturação

Deputados aprovaram texto que enxuga Esplanada, mas tiraram Coaf das mãos de Moro. Presidente disse que PSL “não vai atrapalhar votações”

Rafael Carvalho/Governo de transiçãoRafael Carvalho/Governo de transição

atualizado 23/05/2019 22:19

Durante sua live semanal pelo Facebook, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), fez um apelo aos senadores: que eles mantenham a redação dada pela Câmara à medida provisória (MP) sobre a reestruturação do governo federal. A medida, aprovada pelos deputados nessa quarta-feira (22/05/2019), reduziu de 29 para 22 o número de ministérios, contudo retirou das mãos do ex-juiz federal Sergio Moro o comando do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Se o texto dos deputados for mantido pelos senadores, o órgão sairá do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Moro, e passará ao Ministério da Economia, de Paulo Guedes.

A posição defendida por Bolsonaro contraria declaração do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que pretendia devolver ao ex-juiz da Lava Jato o controle do órgão, que investiga, entre outras coisas, indícios de corrupção em operações financeiras. “Nós vamos defender o Coaf com o ministro Moro. Essa é a posição que está no relatório, mas isso depende do plenário do Senado”, disse Bezerra.

“No meu entender, deve aprovar o que foi votado na Câmara, e vamos seguir em pautas mais importantes”, disse Bolsonaro na transmissão. Ele estava ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), responsável pela articulação do Planalto com o Congresso Nacional.

Desarticulação
Durante café da manhã com jornalistas, o presidente declarou na manhã desta quinta-feira (23/05/2019) que a votação da MP na Câmara deu 1 x 1: por um lado, o governo manteve a Esplanada dos Ministérios mais enxuta; por outro, não conseguiu manter o Coaf no desenho original, na Justiça e Segurança Pública.

“Quero agradecer a Câmara pela votação. Mesmo o Coaf tendo saído do Moro e ido para a pasta do Paulo Guedes, o órgão seguirá no Executivo. Então, o trabalho estará em boas mãos”, disse durante a live desta noite. Ele também falou sobre o comportamento dos congressistas de seu partido político, o PSL (na foto em destaque, a bancada da sigla com o presidente). “A minha bancada é uma bancada de parlamentares bastante novos, alguns ainda acham que têm que ganhar todas, não dá. A gente vai ter que perder, [se] vai ter que perder uma votação, sem problema nenhum, e quem tiver mais voto leva”, acrescentou.

“Agora nossa bancada não vai atrapalhar votações, no que depender de mim. Não tenho ascendência na bancada, o pessoal acha que eu mando na bancada. Eu não mando, logicamente”, afirmou Bolsonaro. “Os líderes nós que indicamos, e eles trabalham nesse sentido. Joice Hasselmann [líder do governo no Congresso] e o Vitor Hugo [líder do governo na Câmara], trabalham nesse sentido, para que a gente busque o melhor possível para atender o povo, mas o Parlamento tem mais do que autoridade, tem legitimidade para mudar essas questões”, completou Bolsonaro.

Alteração no decreto de armas
O presidente aproveitou a oportunidade para se posicionar sobre a alteração no decreto de armas que retira a possibilidade de o cidadão comum adquirir o posse ou porte de um fuzil.

Segundo Bolsonaro, o governo manteve 90% do documento original, mas alterou a questão do fuzil, pois “reconheceu que dava margem” ao porte de fuzis. Usando como base uma emenda americana sobre armamentos, o presidente garantiu que o Exército vai cumprir com o seu papel de, dentro da lei, definir quais objetos bélicos poderão ser adquiridos pelos civis.

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